Política / Assembleia Legislativa
Apagões no interior pressionam Energisa e Assembleia discute fiscalização reforçada em ano de renovação da concessão
Deputados articulam comissão para monitorar qualidade do serviço enquanto associação empresarial prepara Ação Civil Pública
06/02/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
As falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica em municípios do interior de Mato Grosso do Sul ampliaram a pressão política sobre a Energisa, concessionária responsável pela distribuição no Estado. Em meio às queixas de consumidores e setores produtivos, parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) defendem medidas de acompanhamento mais rigorosas, especialmente em um cenário de proximidade da renovação da concessão federal prevista para 2026.
O deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB) propôs a criação de uma comissão parlamentar para monitorar a regularidade do serviço prestado pela empresa. A iniciativa busca avaliar a frequência das interrupções, a capacidade de resposta operacional e os impactos econômicos decorrentes dos apagões, sobretudo em regiões com forte atividade agroindustrial.
Paralelamente, o deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) reiterou pedido formal de informações à concessionária. O parlamentar solicita detalhamento sobre a estrutura técnica disponível para manutenção da rede elétrica, equipes responsáveis por novas ligações e tempo médio de restabelecimento do serviço em diferentes regiões do Estado. Segundo ele, resposta anterior apresentada pela empresa foi considerada insuficiente.
A mobilização política ocorre após uma série de interrupções registradas em municípios como Ribas do Rio Pardo, Dourados e Sonora, onde moradores e produtores relataram oscilações frequentes e períodos prolongados sem energia. As ocorrências teriam impactado diretamente atividades como aviários, produção leiteira, comércios e serviços essenciais.
No campo jurídico, a Associação Empresarial do Vale da Celulose (AEVC) informou que pretende protocolar, nos próximos dias, uma Ação Civil Pública (ACP) contra a concessionária. Caso a ação seja aceita, o Ministério Público Estadual (MPE) poderá integrar o polo ativo da demanda, ampliando o alcance institucional da discussão.
Segundo relatos encaminhados à Assembleia, pequenos produtores registraram perdas de produtos perecíveis e danos a equipamentos decorrentes das interrupções. Comerciantes também apontam prejuízos financeiros e insegurança operacional diante da instabilidade no fornecimento.
A proximidade da renovação da concessão, sob responsabilidade do Ministério de Minas e Energia, adiciona peso ao debate. Parlamentares afirmam que o momento exige avaliação criteriosa da qualidade do serviço e da capacidade de investimento da empresa diante do crescimento econômico do Estado.
Representantes de entidades como a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), sindicatos rurais e a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) também teriam manifestado preocupação com a situação.
Até o momento, a concessionária não divulgou posicionamento público detalhado sobre as críticas recentes. O tema deve ganhar novos desdobramentos nas próximas sessões da ALEMS, à medida que se intensificam as articulações para eventual instalação de comissão específica de acompanhamento.
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