Política / Eleições 2026
MDB de Mato Grosso do Sul se divide diante de articulação do PT para oferecer vice a Lula
Maioria da legenda no Estado resiste à aliança com o presidente, enquanto ala minoritária avalia a proposta como oportunidade estratégica
06/02/2026
08:00
CE
DA REDAÇÃO
A movimentação de setores do PT ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atrair o MDB à chapa de reeleição, com a oferta da vaga de vice-presidente, provocou divergências internas no diretório do partido em Mato Grosso do Sul. A maior parte dos emedebistas sul-mato-grossenses se posiciona contra a composição com o petista, enquanto um grupo minoritário avalia a proposta como estratégica.
A ala predominante no Estado mantém alinhamento político com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e vê com resistência qualquer aproximação formal com o PT. Entre os críticos da articulação está o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun, que classificou a eventual oferta como atrativa apenas para diretórios do Norte e Nordeste.
“Não existe chance de o MDB compor a chapa de Lula na próxima eleição”, afirmou Marun, ao mencionar que a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, estaria em processo de saída do MDB para se filiar ao PSB, com a intenção de disputar o Senado por São Paulo.
Marun também descartou, no momento, alianças com o PT ou com o PL do senador Flávio Bolsonaro (RJ). Questionado sobre eventual aproximação com o PSD, respondeu que poderia haver diálogo. Ele ainda revelou que há discussão interna sobre possível candidatura do ex-presidente Michel Temer ao Palácio do Planalto, embora reconheça que ainda não debateu o tema com todas as lideranças estaduais.
“Estarei em Mato Grosso do Sul logo depois do Carnaval para tratar do assunto. Como entusiasta da ideia, espero convencê-los de que é um bom projeto”, declarou.
Por outro lado, uma ala minoritária do MDB estadual vê com simpatia a possibilidade de retomar a aliança histórica com o PT. O argumento central é que o partido já ocupa três ministérios no atual governo federal — Planejamento e Orçamento (Simone Tebet), Cidades (Jader Filho) e Transportes (Renan Filho) — o que indicaria ambiente favorável para ampliar protagonismo político com a eventual indicação à vice-presidência.
Segundo integrantes desse grupo, as tratativas ainda são preliminares e não houve abertura formal de negociação por parte da direção nacional do MDB. Entre os nomes ventilados nacionalmente para eventual composição estão o ministro Renan Filho e o governador do Pará, Helder Barbalho, embora ambos tenham planos eleitorais próprios em seus estados.
Historicamente, o MDB apresenta forte autonomia regional e divergências internas. Mesmo nas eleições de 2010 e 2014, quando formalizou aliança com Dilma Rousseff, houve dissidências em alguns estados. A direção do PT reconhece que, mesmo com eventual acordo nacional, dificilmente haveria adesão unificada dos diretórios estaduais.
Com o PSD já decidido a lançar candidatura própria à Presidência, o MDB passou a ser visto como principal alternativa de partido de centro para compor a chapa de Lula. Governistas também buscam diálogo com setores do União Brasil, mas avaliam que a legenda não assumirá posição formal na disputa presidencial.
O cenário evidencia a complexidade das articulações para 2026 e reforça as divisões regionais do MDB, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde a discussão já provoca embates internos antes mesmo de uma definição nacional.
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