Trânsito / Mobilidade
Novas regras nacionais para tirar a CNH entram em vigor e mudam prova prática em todo o país
Senatran estabelece critérios únicos e diz que exame deve refletir situações reais do trânsito
02/02/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) tornou público, neste domingo (1º), o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, documento que padroniza em nível nacional os critérios de trajeto, percurso e avaliação das provas práticas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo a Senatran, a medida busca reduzir diferenças regionais, dar mais coerência ao processo avaliativo e aumentar a confiança da sociedade no sistema de habilitação.
“A adoção de parâmetros nacionais visa conferir coerência ao processo avaliativo, reduzir assimetrias regionais e fortalecer a confiança da sociedade no sistema de habilitação”, afirma o manual.
O novo modelo muda o foco da avaliação. A prova prática passa a priorizar situações reais do trânsito, em vez de procedimentos considerados artificiais.
“O exame deve refletir situações reais de condução, permitindo avaliar o comportamento do candidato diante de contextos efetivamente vivenciados no trânsito cotidiano”, destaca o documento.
A Senatran explica que o manual foi elaborado com base em análises técnicas, dados de sinistros (acidentes) e evidências sobre a dinâmica da circulação viária, priorizando condutas que realmente impactam a segurança no trânsito.
Uma das principais mudanças é o fim das reprovações automáticas. Agora:
o candidato inicia o exame com zero ponto;
os pontos são somados conforme infrações cometidas durante o percurso, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB);
para ser aprovado, o candidato não pode ultrapassar 10 pontos.
A pontuação segue a gravidade da infração:
leve: 1 ponto
média: 2 pontos
grave: 4 pontos
gravíssima: 6 pontos
Condutas que não configuram infração, como “deixar o veículo morrer”, não geram reprovação automática.
Outra mudança relevante é o fim da baliza como etapa eliminatória da prova prática. O estacionamento passa a ser tratado como parte do trajeto, e não como um teste isolado.
Segundo o manual, falhas simples na baliza eram, no modelo antigo, equiparadas a condutas de alto risco, o que distorcia a avaliação. Agora, o estacionamento é compreendido como manobra cotidiana, realizada ao final do percurso.
O secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, afirmou que a mudança não torna o exame mais fácil, mas mais realista.
“A baliza virou um exercício artificial, cheio de regras que não dialogam com a condução no mundo real. O foco agora é direção segura em via pública”, disse.
O novo manual se soma a alterações recentes no processo de habilitação, divulgadas no fim de 2025:
fim da obrigatoriedade de autoescola para aulas práticas;
curso teórico gratuito, oferecido digitalmente pelo governo;
redução da exigência mínima de aulas práticas para duas horas;
possibilidade de contratar instrutores autônomos;
manutenção da exigência de aprovação em exame teórico e prático.
A Senatran reforça que:
os Detrans são obrigados a seguir as diretrizes nacionais;
os trajetos podem variar conforme a cidade, mas as regras são únicas;
o descumprimento pode gerar processos administrativos, sindicância e, em casos extremos, intervenção no Detran, conforme previsto no CTB.
O manual também confirma que é permitido realizar a prova prática em veículos automáticos, desde que estejam em conformidade com a legislação de trânsito.
Com as novas regras, o governo afirma que o exame prático passa a medir tomada de decisão, leitura do trânsito e convivência com outros veículos e pedestres, reforçando a política de segurança viária baseada na realidade das ruas brasileiras.
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