Política / Economia
Número dois da Fazenda surge como possível sucessor de Haddad em meio às articulações para 2026
Secretário-executivo Dario Durigan ganha força nos bastidores diante de eventual saída de Fernando Haddad para disputa eleitoral
25/01/2026
13:00
DA REDAÇÃO
Jornalista Bosco Martins ao lado de Dario Carnevalli Durigan, que segura livro sobre Manoel de Barros
O calendário eleitoral de 2026 começa a redesenhar o tabuleiro político em Brasília e nos estados, abrindo espaço para mudanças estratégicas no governo federal. Entre elas, uma possível troca no comando do Ministério da Fazenda, caso o ministro Fernando Haddad deixe o cargo para se dedicar à articulação política e à campanha eleitoral.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, cresce a aposta em uma chamada “chapa dos sonhos”, articulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que envolveria Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Simone Tebet em disputas majoritárias em São Paulo, seja para o governo estadual ou para o Senado. A estratégia busca fortalecer o palanque paulista na tentativa de reeleição de Lula em um dos estados mais decisivos do país.
Nesse contexto, ganha relevo o nome de Dario Carnevalli Durigan, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, considerado o número dois da pasta. Advogado, 39 anos, natural de Jaboticabal (SP), Durigan é apontado como possível sucessor de Haddad, caso o ministro confirme sua saída do governo.
Com formação sólida, Durigan é graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília (UnB). Sua carreira combina atuação técnica e experiência política em diferentes áreas do governo federal.
Entre 2010 e 2011, atuou como coordenador de projetos de gestão estratégica da Advocacia-Geral da União (AGU). De 2011 a 2015, foi assessor jurídico da Casa Civil, durante gestões petistas. Posteriormente, trabalhou como assessor especial de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016, e como advogado da Consultoria Jurídica da União em São Paulo, de 2017 a 2020.
Entre 2020 e 2022, ocupou o cargo de head de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, ligado ao grupo Meta, que também controla Facebook e Instagram. Nesse período, destacou-se no debate sobre democracia e plataformas digitais, classificando a desinformação como “um desafio da geração”, com potencial de comprometer instituições democráticas.
Hoje, como secretário-executivo da Fazenda, Durigan é considerado homem de confiança de Fernando Haddad e, segundo interlocutores do governo, conta com respaldo direto do presidente Lula para conduzir a política econômica em um ano sensível, marcado pela consolidação da reforma tributária.
Na virada do ano, Durigan recebeu jornalistas em Jaboticabal, onde mantém vínculos familiares e passa períodos de descanso. O cenário doméstico chamou atenção pelo contraste com o peso do cargo e das especulações políticas. De perfil simples e discreto, atendeu sentado no chão da sala, cuidando das filhas pequenas, enquanto falava sobre política e economia.
Filho de uma família tradicional do interior paulista, seus pais são naturais de Taiúva, onde mantiveram propriedade rural por décadas. Na juventude, estudou no cursinho Anglo São Luís, em Jaboticabal, antes de deixar a cidade para construir sua trajetória acadêmica e profissional no serviço público.
Durante a visita, Durigan fez questão de destacar sua ligação afetiva com Mato Grosso do Sul. Declarou-se admirador da cultura e da literatura sul-mato-grossense, especialmente da obra do poeta Manoel de Barros, cujos livros fazem parte da formação das filhas.
Entre os títulos citados estão Exercícios de ser criança, O menino que carregava água na peneira, Memórias Inventadas para Crianças, Cantigas por um passarinho à toa e O Fazedor de Amanhecer.
Amigo pessoal da ministra do Planejamento, Simone Tebet, Durigan afirmou apoiar uma eventual candidatura dela em São Paulo e mencionou o livro O Voo da Borboleta, no qual Tebet relata sua trajetória política, de prefeita de Três Lagoas a ministra de Estado.
Comedido, Durigan evita cravar qualquer nomeação. Segundo ele, trata-se de um processo natural de transição, caso venha a ocorrer, sustentado pela confiança de Fernando Haddad e do presidente Lula.
Durigan é filho do professor Julio Cesar Durigan, engenheiro agrônomo, docente da Unesp em Jaboticabal e reitor da universidade entre 2013 e 2017, falecido em setembro de 2017, aos 63 anos. A Unesp, criada em 1964, integra profundamente a história de Jaboticabal e de milhares de estudantes que passaram pela cidade, entre eles o atual governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, que cursou mestrado na instituição nos anos 1990.
Independentemente das disputas eleitorais, Durigan afirma que o Ministério da Fazenda seguirá aberto ao diálogo com todos os estados.
“Independentemente das disputas eleitorais de 2026, o Ministério da Fazenda e o governo federal continuarão de portas abertas para Mato Grosso do Sul e para todo o país, inclusive durante o processo de implementação da reforma tributária”, afirmou.
Discreto, técnico e avesso aos holofotes, Dario Durigan desponta como um dos nomes mais fortes para assumir o comando da economia brasileira em um dos períodos mais delicados do próximo ciclo político.
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