Interior / Ponta Porã
Prefeitura de Ponta Porã culpa “gestão anterior” por asfalto deteriorado e expõe contradição política no Contorno Norte
Nota oficial tenta afastar responsabilidade pelas falhas no Anel Viário, mas atinge ex-prefeito e atual secretário estadual, padrinho político do atual gestor
21/01/2026
19:30
INVESTIGA MS
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A Prefeitura de Ponta Porã transformou a tentativa de se explicar sobre os problemas graves no Contorno Norte do Anel Viário em um novo foco de desgaste político. Pressionada pela buraqueira em trechos recém-entregues e pela intervenção do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), a administração do prefeito Eduardo Campos (PSDB) divulgou nota oficial atribuindo as falhas a “erros de projeto” e à execução da chamada gestão anterior.
No comunicado, a Prefeitura afirma que está exigindo reparos da empresa responsável pela obra e ressalta que a pavimentação “foi realizada durante a gestão municipal anterior”. A justificativa, no entanto, esbarra em um ponto sensível: a gestão anterior é, politicamente, a mesma base que sustenta a atual administração.
Durante o período em que o Anel Viário foi licitado, projetado e teve sua execução iniciada (2017–2022), Eduardo Campos não era um observador externo. Ele ocupava o cargo de vice-prefeito e também foi secretário municipal de Governo e Comunicação, integrando diretamente o núcleo de decisões da época.
Ao apontar falhas de fiscalização e execução naquele período, a Prefeitura acaba reconhecendo, de forma indireta, a ineficiência da própria chapa que hoje governa o município, criando um discurso que se volta contra si mesma.
A nota oficial também atinge, ainda que de forma indireta, o ex-prefeito Hélio Peluffo, principal padrinho político de Campos. Peluffo deixou a Prefeitura para assumir a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, no governo do governador Eduardo Riedel.
O efeito político é imediato: ao admitir que a obra foi mal executada e mal fiscalizada, a atual gestão sugere que o ex-prefeito — hoje responsável pela infraestrutura de todo o Estado — falhou justamente em uma das principais obras do seu reduto eleitoral.
Enquanto a disputa política se desenha nos bastidores, o diagnóstico técnico é ainda mais constrangedor. Não foi a fiscalização municipal que identificou as falhas. O problema só veio à tona após a atuação direta do TCE-MS, que enviou um laboratório móvel até o local.
O laudo constatou o que moradores e motoristas já percebiam: asfalto aplicado sobre solo saturado, com barro úmido, condição que compromete a durabilidade da pavimentação e acelera o surgimento de buracos.
A Prefeitura informou que acionou a garantia contratual, responsabilizando a Pactual Construção, que subcontratou a Maracaju Engenharia, para refazer cerca de 1,2 quilômetro da pista. A medida é apresentada pela gestão como sinal de “eficiência” e “respeito ao dinheiro público”.
Nos bastidores, porém, o episódio expõe fragilidades técnicas, contradições políticas e um discurso defensivo que acabou ampliando o desgaste da administração municipal — não apenas com a população, mas também dentro do próprio campo político que a sustenta.
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