Política / Eleições 2026
Deputado alerta para dificuldade de montagem de chapas em 2026 e prevê disputa interna entre partidos de MS
Rinaldo Modesto afirma que maioria das legendas não conseguirá estruturar grupos competitivos; mudanças na legislação eleitoral intensificam pressão
26/11/2025
09:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A formação de chapas competitivas para as eleições de 2026 deve ser um dos principais desafios para os partidos políticos em Mato Grosso do Sul. A avaliação é do deputado estadual Rinaldo Modesto (Podemos), que afirma que a maior parte das legendas não terá condições de montar grupos fortes para disputar o pleito.
Segundo o parlamentar, a dificuldade já é perceptível na própria Assembleia Legislativa. “A maioria dos partidos não terão condições de montar a chapa. O MDB está discutindo, o Republicanos também, e o Podemos, que eu sou filiado, não tem condições de montar a chapa”, afirmou. Rinaldo adiantou que deverá mudar de sigla durante a janela partidária, em março, com alinhamento ao governador Eduardo Riedel, ao ex-governador Reinaldo Azambuja e à presidente do União Brasil, Rose Modesto. A probabilidade, segundo ele, é integrar uma federação partidária.
A preocupação também se repete no PSB, liderado pelo deputado estadual Paulo Duarte, que avalia deixar a sigla para apoiar a reeleição de Riedel — movimento que contraria o posicionamento tradicional do partido. Já o presidente municipal do PSB, Carlão Borges, afirmou que buscará autonomia junto à direção nacional para evitar interferências que dificultem a construção de uma chapa competitiva.
No MDB, o ex-governador André Puccinelli reforça o diagnóstico: para ele, o sistema partidário brasileiro é excessivamente fragmentado e deveria ser reduzido a cinco legendas que representassem de forma clara os espectros ideológicos. Segundo Puccinelli, o número elevado de partidos e a chamada “infidelidade partidária” estimulam negociações que fragilizam a musculatura política.
A chapa eleitoral reúne candidatos com condições de disputar determinado cargo e é requisito indispensável para a participação dos partidos nas eleições.
(para governador, presidente e senador)
Chapa mista: formada por partidos diferentes
Chapa pura: formada apenas pela própria legenda
A vantagem das chapas mistas está na ampliação do tempo de TV e na maior competitividade.
(para deputados e vereadores)
Após mudanças recentes na legislação, partidos não podem mais somar votos entre si. Cada sigla — ou federação — precisa atingir sozinha os requisitos mínimos para conquistar vagas.
Isso significa que:
O partido precisa alcançar o Quociente Eleitoral para eleger o primeiro candidato.
A votação total da sigla define o Quociente Partidário, que determina quantas vagas serão preenchidas diretamente.
Para concorrer às “sobras”, o partido deve alcançar 80% do Quociente Eleitoral, e o candidato obter pelo menos 20% desse mesmo quociente.
Essas regras aumentam a pressão interna: candidatos passam a competir não só com adversários externos, mas entre si dentro da própria legenda, exigindo alta média de votos em toda a chapa.
A legislação impõe que cada partido registre até 100% das vagas disponíveis + 1. No caso da Assembleia Legislativa de MS, isso equivale a até 25 candidatos por chapa.
A regra de 30% de candidaturas femininas também impacta diretamente a viabilidade das listas. A utilização de candidaturas fictícias pode levar à cassação de toda a chapa.
Diante das dificuldades, partidos têm recorrido às federações — modelo criado pela Lei 14.208/2021 e validado pelo STF — como alternativa para formar chapas competitivas. Na prática, a federação funciona como um único partido por no mínimo quatro anos, compartilhando votos, estrutura e regras de fidelidade.
Diretrizes das federações:
Atuação unificada em todo o país
Prazo mínimo de quatro anos
Perda de mandato para desfiliação sem justa causa
A federação pode continuar existindo mesmo que um partido deixe o grupo, desde que dois permaneçam
Entre os grupos que discutem federações estão PP e União Brasil, além de MDB e Republicanos, embora este último alinhamento tenha sido recentemente revisto.
Partidos que abandonarem a federação antes dos quatro anos ficam:
Proibidos de integrar outra federação
Impedidos de fazer coligações nas duas eleições seguintes
Sem acesso ao fundo partidário até o fim do prazo remanescente
Com a aproximação de 2026, dirigentes partidários avaliam que a disputa eleitoral será marcada pela reorganização das legendas, maior pressão para formar chapas competitivas e busca por alianças estruturadas, especialmente diante do novo ambiente político nacional após a prisão definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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