Economia / Comércio Exterior
Trump impõe tarifa de 10% sobre importações do Brasil e acirra tensão comercial
"É nossa independência econômica", diz ex-presidente ao justificar 'tarifaço' global que atinge em cheio o Brasil
02/04/2025
16:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) a aplicação de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados do Brasil, como parte do pacote de medidas que estabelece tarifas recíprocas para parceiros comerciais dos EUA. A medida faz parte do chamado "Dia da Libertação", como Trump batizou a data que marca o início de sua "independência econômica".
A decisão atinge em cheio o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos, impondo um novo cenário de tensão comercial. Segundo Trump, os EUA passarão a cobrar tarifas proporcionais — ou pelo menos metade — das alíquotas cobradas por outros países sobre produtos americanos.
"Vamos cobrar 10% do Brasil, e para aço e alumínio, seguimos com os 25% já aplicados. As tarifas são uma forma de proteção e de crescimento", afirmou Trump.
Brasil: 10% sobre todas as importações, 25% sobre aço e alumínio (mantido).
China: 34% (em resposta a uma suposta taxa de 67% contra os EUA).
União Europeia: 20% (Trump alega ser metade do que os europeus cobram dos EUA).
Além dessas tarifas, também entrou em vigor a cobrança de:
25% sobre carros importados, exceto os que estão sob o USMCA (acordo comercial EUA-México-Canadá).
25% sobre exportações de países que não possuem acordo direto com os EUA.
A medida gerou preocupação imediata entre autoridades e setores exportadores brasileiros. O Senado Federal, em resposta ao anúncio de Trump, aprovou nesta semana, em regime de urgência, um projeto que autoriza o governo a retaliar comercialmente países que impuserem barreiras aos produtos brasileiros.
“O projeto foi uma reação direta à ameaça americana e agora se mostra necessário e urgente para proteger nossa economia”, disse um senador favorável à proposta.
Entre os setores mais impactados estão:
Agronegócio, com exportações de soja, carnes e sucos atingidas;
Mineração e metalurgia, sobretudo com o aço e alumínio já altamente tarifados;
Indústria de manufaturados, que poderá perder competitividade diante dos custos adicionais.
“Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento”, justificou Trump.
O ex-presidente afirmou ainda que os países que quiserem evitar as tarifas devem instalar fábricas em território americano, reforçando seu discurso nacionalista e protecionista que marcou seu primeiro mandato.
O governo brasileiro deve avaliar medidas diplomáticas e comerciais para responder ao novo cenário.
Setores da indústria e do agronegócio já pressionam por negociações bilaterais ou compensações internas.
Mercado financeiro reage com cautela, e o câmbio e as bolsas podem sentir os efeitos nos próximos dias.
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