Justiça / Saúde
Bernal sofre infarto no presídio e deve passar por cirurgia cardíaca em Campo Grande
Ex-prefeito está internado na Santa Casa após quadro grave; STJ havia negado pedido de liberdade horas antes
01/07/2026
15:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, de 60 anos, sofreu um infarto enquanto estava preso no Presídio Militar e foi levado às pressas para a Santa Casa de Campo Grande nesta quarta-feira, 1º de julho. Após passar por exames, ele deve ser submetido a uma cirurgia cardíaca ainda hoje para colocação de seis stents.
Bernal já passou por cateterismo, mas a avaliação médica apontou a necessidade de novo procedimento. Os stents são pequenos tubos em formato de malha usados para manter veias ou artérias abertas em casos de obstrução. Segundo a defesa, o ex-prefeito já tinha quatro stents implantados anteriormente.
O quadro foi considerado grave após exame de coronariografia, que identificou síndrome coronariana aguda e doença coronariana multiarterial severa. O laudo aponta obstruções importantes em diferentes vasos do coração, com lesões de até 90% em alguns trechos e oclusões crônicas em outras artérias.
“O caso dele é grave, ele já tinha quatro [stents] e vai colocar mais seis”, afirmou o advogado Oswaldo Meza, um dos integrantes da defesa de Bernal no processo em que ele responde pela morte do fiscal tributário estadual aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
A Santa Casa de Campo Grande confirmou a internação pelo Prontomed, ala destinada a pacientes de convênios médicos. O ex-prefeito foi encaminhado ao hospital depois de passar mal na unidade prisional, onde permanece custodiado desde março.
A internação ocorreu poucas horas depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar pedido de liberdade apresentado pela defesa. A decisão foi proferida pelo ministro Og Fernandes, que manteve os fundamentos da prisão preventiva e rejeitou os argumentos para que Bernal respondesse ao processo fora da cadeia.
Bernal está preso desde 24 de março e já foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri pela morte de Roberto Carlos Mazzini, ocorrida em um imóvel de Campo Grande. Segundo a acusação, o fiscal aposentado foi morto com dois tiros ao tentar tomar posse de uma casa adquirida após retomada pela Caixa Econômica Federal, em razão de dívida de financiamento.
Na decisão que negou liberdade, o ministro citou laudos, imagens e depoimentos que indicam que a vítima já estaria caída quando houve o segundo disparo. Conforme trecho mencionado no processo, após o primeiro tiro, Bernal teria se aproximado de Mazzini, dito palavras não compreendidas por uma testemunha e, em seguida, efetuado outro disparo na lateral esquerda do abdômen da vítima.
A defesa sustenta que houve nulidade na prisão em flagrante, pede prisão domiciliar por causa dos problemas cardíacos e afirma que o ex-prefeito agiu em legítima defesa, após um suposto mal-entendido sobre a entrada da vítima no imóvel. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por outro lado, afirma que o crime teria sido motivado pelo inconformismo de Bernal com a perda da residência.
Com a internação e a cirurgia, a situação de saúde do ex-prefeito passa a ser um novo ponto de atenção no processo. Ainda não há data marcada para o julgamento popular, e a prisão segue válida enquanto a defesa tenta reverter a custódia com base no quadro clínico.
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