Política / Redes
Crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro domina grupos e reduz espaço para desgaste do governo Lula
Levantamentos apontam que a briga no PL ganhou força no WhatsApp e Telegram e deslocou a atenção sobre a crise envolvendo Jaques Wagner
26/06/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A disputa pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro ganhou forte repercussão em grupos de WhatsApp e Telegram e acabou mudando o foco do debate político nas redes. A crise interna no PL, provocada por divergências sobre uma possível aliança no Ceará, passou a ocupar espaço que antes era direcionado ao desgaste do governo Lula (PT) após o afastamento do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado.
Levantamento da empresa de monitoramento Palver, que acompanha mais de 100 mil grupos públicos nos dois aplicativos, aponta que 67% das mensagens opinativas sobre o episódio foram desfavoráveis a Flávio Bolsonaro, enquanto 33% defenderam a postura do senador. Segundo a análise, parte desse volume contrário ao parlamentar também foi impulsionada por setores da esquerda, que aproveitaram a divisão no bolsonarismo para ampliar críticas ao filho de Jair Bolsonaro.
A discussão começou de forma tímida entre 18 e 23 de junho, em torno da articulação para uma eventual aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Governo do Ceará. O debate cresceu depois que Michelle Bolsonaro publicou, na tarde de quarta-feira (24), dois vídeos relatando ter sido desrespeitada por Flávio após criticar publicamente a aproximação com Ciro.
Nos vídeos, Michelle afirmou que o senador a criticou nas redes antes de conversar diretamente com ela. Segundo a ex-primeira-dama, quando houve o contato telefônico, Flávio teria sido ríspido e dito que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por não entender de política. Na manhã de quinta-feira (25), o caso atingiu pico de 219 menções a cada 100 mil mensagens coletadas pela Palver.
A crise expôs três linhas principais de reação nas redes. Uma delas acusa Flávio Bolsonaro de ceder a uma conveniência eleitoral ao apoiar uma articulação com Ciro Gomes, visto por parte da base bolsonarista como adversário histórico da família. Nesse grupo, Michelle passou a ser retratada como defensora dos valores do movimento.
Outra corrente concentrou críticas no pedido de desculpas feito por Flávio após a repercussão negativa. Para esses usuários, a retratação teria sido motivada pela pressão digital e não por arrependimento espontâneo. Já os perfis favoráveis ao senador sustentam que a aliança no Ceará seria uma estratégia legítima para enfrentar o PT no estado e avaliam que Michelle errou ao expor a divergência publicamente.
O episódio também teve impacto direto na pauta política nacional. Relatório especial do Instituto Democracia em Xeque aponta que, entre a tarde de 24 de junho e a manhã de 25 de junho, o “vídeo de Michelle” concentrou 76% das menções diretas, com 91,6 mil resultados, enquanto o caso de Jaques Wagner ficou com 24%, equivalente a 29,3 mil resultados.
A diferença também apareceu no engajamento. As publicações sobre as declarações de Michelle Bolsonaro somaram cerca de 1,4 milhão de reações, número quase sete vezes maior que as 214 mil interações registradas nos conteúdos sobre a crise envolvendo o líder governista afastado.
Com isso, perfis de esquerda direcionaram parte relevante da atuação digital para explorar a divisão no campo bolsonarista. Segundo o levantamento, 38% das postagens desses perfis se concentraram no vídeo de Michelle, indicando uma estratégia de capitalizar politicamente a crise interna da família Bolsonaro em vez de priorizar a defesa de Jaques Wagner.
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