Política / Trabalho
Zé Teixeira critica PEC que acaba com escala 6x1 e vê risco ao emprego formal
Deputado afirma que mudança pode elevar custos das empresas, pressionar preços e afetar setores como comércio, indústria e agronegócio
19/06/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado estadual Zé Teixeira (PL) criticou, durante debate no Plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a proposta que prevê o fim da escala 6x1 no país. Para o parlamentar, a medida pode gerar impacto direto nos empregos formais, aumentar custos das empresas e afetar a economia de Mato Grosso do Sul.
A discussão envolve uma Proposta de Emenda à Constituição, em tramitação no Congresso Nacional, que busca alterar a jornada de trabalho e ampliar os dias de descanso. Segundo Zé Teixeira, a proposta tem caráter populista e encontra resistência de entidades ligadas ao setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria, a Sociedade Rural Brasileira e a Confederação Nacional do Comércio.
O deputado citou estimativas de entidades empresariais que apontam aumento de até 22% nos custos das empresas, caso a mudança seja aprovada. Esse impacto estaria ligado à necessidade de contratação de novos funcionários e ao aumento de encargos trabalhistas para cobrir as folgas adicionais. Para ele, esse custo pode pressionar especialmente empresas menores, que têm menos margem para absorver despesas.
Zé Teixeira afirmou que a ampliação dos custos operacionais pode dificultar a manutenção de postos de trabalho no setor privado. O parlamentar também mencionou projeções do segmento supermercadista, segundo as quais os preços nas prateleiras poderiam subir até 10%, caso a reorganização da escala gere aumento expressivo nas despesas das empresas.
Na avaliação do deputado, os direitos trabalhistas já existentes devem ser preservados, mas a remuneração também deveria considerar produtividade e possibilidade de negociação. Ele defendeu que mudanças na jornada não sejam impostas de forma rígida, principalmente em setores que funcionam com dinâmicas diferentes, como comércio, indústria e produção rural.
O parlamentar também alertou para o risco de aceleração da automação. Segundo ele, empresas que já enfrentam concorrência de plataformas digitais, varejo online e processos mecanizados podem substituir parte da mão de obra por tecnologia se a folha de pagamento ficar mais cara. Zé Teixeira citou como exemplos fábricas robotizadas, bancos automatizados e o comércio físico pressionado por empresas como Shopee e Mercado Livre.
Outro ponto levantado foi a diferença entre setor público e setor privado. Para o deputado, a mudança atingiria principalmente quem produz, emprega e movimenta a economia, enquanto o serviço público já opera, em grande parte, com escalas como 5x2 ou jornadas ainda mais reduzidas em alguns casos. Ele afirmou que a proposta pode ampliar desigualdades entre quem depende da atividade empresarial e quem está fora dessa realidade.
No agronegócio, Zé Teixeira disse que o impacto pode ser ainda mais sensível, porque plantio, colheita e manejo dependem de clima, ciclos biológicos e janelas curtas de produção. Para ele, uma regra rígida pode prejudicar desde pequenos produtores, com poucos funcionários, até grandes propriedades rurais.
O deputado concluiu que o fim da escala 6x1, da forma como está sendo discutido, pode encarecer alimentos, pressionar o orçamento das famílias e reduzir a capacidade de contratação das empresas. Segundo ele, o tema precisa ser analisado com cautela para evitar que uma mudança apresentada como benefício ao trabalhador acabe gerando perda de empregos e aumento de custos para a população.
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