Campo Grande (MS), Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Política / Municípios

Riedel defende municípios fortes como base para novo ciclo de desenvolvimento em MS

Governador encerrou congresso da Assomasul com defesa de planejamento conjunto, regionalização da saúde e obras estruturantes

10/06/2026

17:00

DA REDAÇÃO

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O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou, nesta quarta-feira (10), que o futuro de Mato Grosso do Sul depende diretamente do fortalecimento dos 79 municípios e da capacidade de construir políticas públicas a partir das demandas locais. A declaração foi feita durante a palestra de encerramento do 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, realizado pela Assomasul.

Diante de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários municipais e lideranças de várias regiões do Estado, Riedel defendeu que o desenvolvimento estadual não pode ser medido apenas por grandes indicadores econômicos. Segundo ele, o principal desafio é transformar crescimento em melhoria concreta na vida da população.

“O desenvolvimento de Mato Grosso do Sul começa nos municípios. Quando falamos em um novo ciclo de desenvolvimento, não estamos falando apenas de grandes indicadores econômicos, mas de fazer esse desenvolvimento chegar à rua, ao bairro mais distante e à vida das pessoas”, afirmou o governador.

A palestra encerrou uma programação de dois dias voltada a temas como gestão pública, reforma tributária, arrecadação municipal, saúde, sustentabilidade, educação, inovação e desenvolvimento econômico. Ao longo do evento, a mensagem central foi a necessidade de ampliar a cooperação entre Estado e municípios para melhorar serviços públicos e acelerar o desenvolvimento regional.

Durante a apresentação, Riedel relembrou o processo de aproximação entre o Governo do Estado e as prefeituras iniciado em 2017, ainda na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Segundo ele, a participação mais direta dos gestores municipais na definição de prioridades permitiu uma relação mais integrada entre as diferentes esferas de governo.

O governador destacou que esse modelo de diálogo possibilitou investimentos em áreas estratégicas, como infraestrutura urbana, saneamento básico, educação, saúde e desenvolvimento econômico.

“Aprendemos a conversar mais, a nos compreender melhor e a entender as necessidades de cada município. O resultado está nas obras, nos serviços e nas políticas públicas que chegam à população”, declarou.

Riedel citou os programas Governo Presente, MS Ativo 1 e MS Ativo 2 como exemplos de ações construídas a partir das demandas apresentadas pelos municípios. Conforme o governador, cada cidade tem necessidades específicas, e o planejamento público precisa considerar essas diferenças.

“Tem município que tem como prioridade a pavimentação asfáltica. Outros precisam de drenagem, saneamento, uma praça central, uma escola ou um prédio público. O importante é entender a realidade local para construir soluções adequadas”, explicou.

Na área de infraestrutura, o governador destacou o avanço do programa de universalização do saneamento básico, que deve colocar Mato Grosso do Sul entre os primeiros estados do país a alcançar cobertura praticamente total do serviço. Ele citou o modelo implantado por meio da parceria entre Sanesul, Governo do Estado e iniciativa privada como um dos principais projetos estruturantes em andamento.

Riedel reconheceu que as obras provocam transtornos temporários nas cidades, mas afirmou que os benefícios serão permanentes para a população.

“A dor do crescimento machuca, mas é melhor passar por ela porque vai entregar um outro nível de Estado daqui a alguns anos”, disse.

Como exemplo, o governador mencionou municípios que passaram por grandes intervenções para implantação de redes de esgoto, como Sonora e Itaquiraí. No caso de Itaquiraí, segundo ele, a cobertura do serviço avançou de zero para 98% em apenas um ano.

“É claro que as obras causam transtornos, danificam pavimentos e exigem reparos, mas o essencial está sendo feito”, afirmou. Riedel também pediu que os prefeitos acompanhem a execução dos serviços e cobrem qualidade das concessionárias responsáveis pelas obras.

Outro ponto central da palestra foi a regionalização da saúde pública. O governador defendeu que o atendimento seja organizado de forma mais próxima da população, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos entre municípios.

Riedel citou a estruturação dos hospitais regionais de Ponta Porã, Três Lagoas e Dourados, além dos projetos em andamento para Campo Grande e Corumbá. Segundo ele, o objetivo é formar uma rede capaz de atender pacientes dentro de suas regiões de origem, com mais eficiência e organização.

“O paciente não pode ficar viajando pelo Estado para conseguir atendimento. O conceito da regionalização é justamente fazer essa rede funcionar de maneira mais eficiente e organizada”, afirmou.

O governador também defendeu o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) adotado em parte da gestão hospitalar. De acordo com Riedel, a participação da iniciativa privada não altera o caráter público do atendimento.

“Quando oferecemos saúde gratuita e universal para todos, ela continua sendo pública. O parceiro privado entra para prestar o serviço de forma mais eficiente, mas o atendimento permanece gratuito e universal”, declarou.

Ao tratar dos investimentos estruturantes, Riedel destacou recursos aplicados por meio de programas estaduais e emendas parlamentares destinadas aos municípios. Segundo ele, a cooperação entre Governo do Estado, bancada federal e administrações municipais tem permitido ampliar obras de pavimentação, drenagem, saneamento, educação e infraestrutura urbana em todas as regiões.

Para o governador, os avanços do Estado precisam ser avaliados pela capacidade de gerar resultados práticos para a população. Ele reforçou que nenhuma política pública se sustenta sem integração entre os diferentes níveis de governo.

“Os grandes números são importantes, mas o desafio é fazer esse desenvolvimento chegar à rua, ao bairro mais distante de qualquer um dos 79 municípios do Estado”, afirmou.

No encerramento, Riedel afirmou que a atuação conjunta entre Estado e municípios deve continuar como base para enfrentar os principais desafios de Mato Grosso do Sul.

“Não podemos perder de vista o propósito da política, que é servir as pessoas. Quando os 79 municípios e o Estado trabalham com o mesmo objetivo, conseguimos entregar resultados melhores para toda a sociedade”, concluiu.

A fala encerrou o congresso com a defesa de uma agenda municipalista voltada à cooperação institucional, ao planejamento regional e à entrega de serviços públicos mais próximos da população.


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