Campo Grande (MS), Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Economia / Contas Públicas

Gastos do governo de MS avançam quase 20% e reduzem folga fiscal do Estado

Relatório aponta que receitas cresceram 7,7% no primeiro quadrimestre, mas despesas subiram em ritmo bem maior e pressionaram o caixa estadual

10/06/2026

08:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

As contas do governo de Mato Grosso do Sul fecharam o primeiro quadrimestre deste ano com crescimento da arrecadação, mas também com forte avanço das despesas. Conforme dados do Relatório de Gestão Fiscal, publicado no Diário Oficial do Estado, as Receitas Correntes aumentaram 7,7% entre janeiro e abril, enquanto os gastos cresceram 19,3% no mesmo período.

No primeiro quadrimestre de 2025, as receitas somaram R$ 8,631 bilhões. No mesmo intervalo deste ano, chegaram a R$ 9,297 bilhões. Já as despesas passaram de R$ 7,516 bilhões para R$ 8,972 bilhões, consumindo praticamente todo o ganho obtido com o aumento da arrecadação.

Com isso, a margem fiscal do Estado caiu de forma expressiva. Entre janeiro e abril do ano passado, Mato Grosso do Sul encerrou o período com uma sobra aproximada de R$ 1,115 bilhão. Neste ano, a folga caiu para cerca de R$ 325 milhões, uma redução de 70,9% em 12 meses.

Na prática, o governo arrecadou mais, mas gastou em ritmo muito superior. O movimento acende alerta porque ocorre em um momento de expansão econômica no Estado, impulsionada pelo agronegócio, pela indústria de transformação, pelo comércio e pela atração de investimentos privados.

Apesar do bom desempenho da economia, a arrecadação com impostos e taxas de melhoria teve avanço mais limitado. O valor passou de R$ 7,511 bilhões no primeiro quadrimestre do ano passado para R$ 7,722 bilhões neste ano, alta de aproximadamente 3%.

Parte relevante da pressão sobre as contas estaduais vem da folha de pagamento. O relatório mostra que a despesa total com pessoal atingiu R$ 10,59 bilhões nos 12 meses encerrados em abril. O montante representa 46,62% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada, índice acima do limite prudencial de 46,55% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Embora o percentual tenha apresentado leve melhora em relação ao primeiro quadrimestre de 2025, quando estava em 46,92%, o indicador continua elevado e mostra rigidez no orçamento. Em valores absolutos, os gastos com pessoal cresceram cerca de R$ 918 milhões em um ano, passando de R$ 9,68 bilhões para R$ 10,59 bilhões.

O percentual ainda está abaixo do limite máximo de 49% permitido pela legislação, mas reduz a margem do governo para assumir novas despesas permanentes, como reajustes salariais amplos, criação de cargos ou expansão da estrutura administrativa.

Outro dado que avançou foi a dívida consolidada líquida. O estoque passou de R$ 4,58 bilhões em abril de 2025 para R$ 5,71 bilhões em abril deste ano. O aumento foi de aproximadamente R$ 1,13 bilhão, equivalente a 24,6%.

Mesmo com a alta, o endividamento segue distante do limite definido pelo Senado Federal, que permite aos estados atingir até 200% da RCL ajustada. O dado indica que Mato Grosso do Sul ainda mantém capacidade legal de endividamento, embora a redução da folga fiscal exija mais cautela na gestão dos recursos.

A principal mudança, porém, aparece nas operações de crédito. Enquanto no primeiro quadrimestre de 2025 o Estado não havia registrado contratação de empréstimos, neste ano foram contabilizados R$ 1,079 bilhão em operações de crédito internas e externas. O valor representa 4,73% da RCL ajustada, abaixo do limite legal de 16%.

O uso maior de financiamentos ocorre em meio à estratégia do governo de manter investimentos em infraestrutura, logística e obras públicas, mesmo diante da redução da margem entre receitas e despesas.

A comparação entre os dois quadrimestres mostra que Mato Grosso do Sul segue com crescimento de arrecadação e indicadores fiscais dentro dos limites legais. No entanto, os números também revelam uma mudança importante na dinâmica das contas públicas.

Se no ano passado o avanço das receitas garantia uma margem mais confortável, neste ano o crescimento acelerado dos gastos reduziu significativamente essa distância. O Estado arrecada mais, mas a velocidade de expansão das despesas tem absorvido boa parte do ganho fiscal.

 


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