Campo Grande (MS), Domingo, 15 de Março de 2026

Política / Congresso

Motta e Alcolumbre evitam avançar com CPI sobre caso Banco Master no Congresso

Pressão por investigação cresce entre governistas e oposição, enquanto temor de delação de Daniel Vorcaro aumenta cautela no Centrão

15/03/2026

17:00

DA REDAÇÃO

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Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), têm evitado sinalizar se irão dar andamento aos pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinados a investigar as fraudes envolvendo o Banco Master.

Nos bastidores do Congresso Nacional, a cautela tem sido atribuída ao receio de que uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira, amplie o alcance das investigações e atinja integrantes do meio político.

Pressão por investigação cresce no Congresso

A pressão para a abertura de uma investigação parlamentar aumentou após se tornarem públicas informações sobre possíveis relações de Vorcaro com políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

No Senado, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou, na quinta-feira, 12 de março, um requerimento para a criação de uma CPI destinada a investigar as fraudes relacionadas ao Banco Master. Para que o pedido seja protocolado oficialmente, são necessárias 27 assinaturas de senadores.

Também foi apresentado um requerimento pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) propondo a abertura de uma CPI para investigar possíveis vínculos entre Daniel Vorcaro e os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Na Câmara dos Deputados, parlamentares como Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Heloísa Helena (Rede-RJ) manifestaram apoio à criação de um colegiado específico para investigar o caso.

Proposta de CPMI depende de leitura em plenário

Além das iniciativas isoladas no Senado e na Câmara, também há articulações para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que reuniria deputados e senadores.

O requerimento com maior número de assinaturas foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Nesse caso, a comissão não depende de autorização formal dos presidentes das Casas, mas precisa ser lida em plenário durante sessão conjunta do Congresso, etapa que oficializa a criação da comissão.

A leitura cabe ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, que até o momento tem evitado levar o pedido ao plenário.

Receio de delação freia debate no Centrão

Parlamentares ligados ao Centrão têm evitado discutir abertamente a instalação de uma comissão de investigação. O receio, segundo relatos reservados, é de que uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro revele detalhes de interlocuções mantidas com integrantes do meio político.

A preocupação aumentou após a divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro, que mencionariam encontros envolvendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e referências a uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes.

O ambiente de apreensão se intensificou ainda mais depois que o Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter a prisão de Vorcaro, decisão que elevou a pressão sobre o Congresso para investigar o caso.

STF rejeita pedido para obrigar instalação de CPI

Na quinta-feira, 12 de março, o ministro Cristiano Zanin, do STF, rejeitou um mandado de segurança que buscava obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma CPI para investigar a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Na decisão, o magistrado afirmou que não havia prova clara de omissão por parte do presidente da Câmara. Zanin destacou que o requerimento foi apresentado em 2 de fevereiro e que o período transcorrido não caracteriza demora ilegal na análise do pedido.

Caso também repercute em outras comissões

Enquanto a criação de uma CPI específica enfrenta resistência política, o caso passou a ser debatido em outros colegiados do Congresso.

Na CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou ter recebido arquivos resultantes da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro. O material está disponível para consulta dos parlamentares em uma sala-cofre, sem acesso a celulares ou dispositivos eletrônicos.

A CPMI do INSS tem funcionamento previsto até 28 de março, e integrantes da comissão discutem uma prorrogação de até um mês para analisar os dados obtidos nas investigações.

Além disso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), também passou a discutir possíveis impactos do caso no sistema financeiro nacional.

Diante da ausência de uma comissão específica para investigar o Banco Master, o tema passou a gerar disputas políticas e diferentes narrativas em colegiados do Congresso, enquanto cresce a pressão por uma investigação parlamentar formal sobre o caso.


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