Política / Eleições 2026
Disputa pelo Senado amplia divisão interna no PL de Mato Grosso do Sul
Grupo ligado a Reinaldo Azambuja e Capitão Contar defende critério técnico com pesquisas, enquanto aliados de Bolsonaro pressionam por fidelidade política
06/03/2026
19:00
INVESTIGA MS
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A disputa interna no Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul pela definição das candidaturas ao Senado Federal intensificou as tensões dentro da legenda. O embate envolve quatro nomes que disputam espaço na chapa majoritária liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).
De um lado, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar (PL) defendem que a escolha dos dois candidatos ao Senado seja baseada em pesquisas eleitorais, argumento apresentado como critério técnico para medir competitividade. No outro campo, Marcos Pollon e Gianni Nogueira sustentam que a decisão deve respeitar a fidelidade política à família Bolsonaro, que mantém forte influência dentro do partido.
Até recentemente, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar eram considerados os favoritos para compor a chapa ao Senado. Ambos chegaram a ser mencionados pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, como os nomes inicialmente cotados para representar a legenda.
O cenário, entretanto, mudou após a intervenção do ex-presidente Jair Bolsonaro, que demonstrou interesse direto na definição das candidaturas no estado. Em manifestação divulgada por meio de Michelle Bolsonaro, Bolsonaro indicou publicamente apoio ao deputado Marcos Pollon, o que alterou o equilíbrio interno da disputa.
Com essa posição, a presença de Pollon na chapa passou a ser tratada como prioridade por setores ligados ao bolsonarismo, independentemente do desempenho em levantamentos eleitorais.
A deputada Gianni Nogueira também reivindica espaço na disputa. Segundo aliados, ela teria recebido anteriormente um compromisso político de Jair Bolsonaro para disputar uma das vagas ao Senado.
O grupo político da parlamentar enfrenta, porém, dificuldades na articulação direta com o ex-presidente. O deputado federal Rodolfo Nogueira, esposo de Gianni, era presença frequente em agendas públicas de Bolsonaro, mas perdeu acesso direto após a prisão do ex-presidente, o que teria reduzido sua capacidade de influência na definição das candidaturas.
O deputado Marcos Pollon mantém apoio de figuras próximas ao núcleo político de Bolsonaro. Ele conta com o respaldo dos filhos do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, além da proximidade de sua esposa, Naiane Bitencourt, com Michelle Bolsonaro.
Michelle, inclusive, é considerada madrinha do casal e teria atuado diretamente nas conversas que resultaram na manifestação pública de apoio ao nome de Pollon, episódio que acentuou as divisões internas dentro do partido.
A disputa pela segunda vaga ao Senado na chapa governista segue sem definição e expõe um racha entre dois critérios dentro do PL: de um lado, a defesa de pesquisas como instrumento de escolha, e de outro, a pressão política baseada na lealdade ao bolsonarismo.
Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que a definição final dependerá de negociações nacionais dentro do partido e do peso político da família Bolsonaro nas decisões da legenda.
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