Campo Grande (MS), Quinta-feira, 03 de Abril de 2025

Educação / Inclusão

Detecção precoce do autismo favorece alfabetização e inclusão escolar, destacam especialistas

Neste 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, famílias e profissionais reforçam a importância do diagnóstico e do acolhimento na primeira infância

02/04/2025

08:15

AGÊNCIA BRASIL

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Neste 2 de abril, quando se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, histórias de superação, desafios e avanços no campo da educação inclusiva reforçam a importância da detecção precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O diagnóstico rápido e o acompanhamento adequado são apontados como fundamentais para garantir o desenvolvimento, a alfabetização e a autonomia das crianças com autismo.

A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca combater o preconceito e promover a disseminação de informações sobre o neurodesenvolvimento atípico, que afeta habilidades de comunicação, socialização e comportamento.

📍 Casos reais revelam os desafios da inclusão escolar

A biomédica e neurocientista Emanoele Freitas, moradora de Nova Iguaçu (RJ), descobriu que seu filho, Eros, só teve o diagnóstico correto de autismo aos 5 anos, após suspeitas iniciais de surdez profunda. Com nível 3 de suporte, Eros enfrentou grandes dificuldades na escola, mas encontrou mais acolhimento na rede pública, com apoio de professores capacitados e mediação escolar especializada.

“O primordial era ele aprender a ser autônomo. Meu filho não conseguia se manter em uma sala regular, então ele era atendido em uma sala multidisciplinar”, relata Emanoele.

Já a dona de casa Isabele Ferreira, da Ilha do Governador (RJ), é mãe de dois filhos autistas: Pérola, de 7 anos (nível 1), e Ângelo, de 3 anos (nível 2). Com epilepsia e atrasos cognitivos, os filhos frequentam escolas municipais com acompanhamento de mediadores e professores especializados, e contam com apoio de uma equipe multidisciplinar.

“Tive que parar de trabalhar para cuidar deles e levá-los às terapias. O cuidado é integral. Mas encontrei professoras psicopedagogas com entendimento sobre autismo”, conta Isabele.

🧠 O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

Segundo a psicopedagoga e psicomotricista Luciana Brites, diretora do Instituto NeuroSaber, o TEA envolve dificuldades na interação social, comunicação verbal e não verbal, além de comportamentos repetitivos. Os sinais podem surgir por volta dos 2 anos e variam em intensidade, sendo classificados como:

  • Nível 1: leve suporte necessário

  • Nível 2: suporte moderado

  • Nível 3: alto suporte e dependência

“Uma criança com autismo não verbal pode se alfabetizar, mas terá dificuldades maiores. A detecção precoce é essencial para favorecer a inclusão”, afirma Luciana.

✏️ Estratégias para alfabetização de crianças com autismo

A especialista destaca que, embora os desafios na alfabetização existam, a maioria das crianças com TEA pode aprender, desde que respeitadas suas particularidades. Algumas práticas recomendadas incluem:

  • Estimular consciência fonológica com atividades de sílabas e fonemas

  • Explorar rimas e repetição de palavras para memorização

  • Adaptar conteúdos e ritmo de acordo com o perfil do aluno

“É possível a inserção no ensino regular. Mas é necessário investir na capacitação dos professores e no trabalho conjunto entre famílias, escolas e profissionais de saúde”, complementa.

🏫 Políticas públicas e estrutura escolar no Brasil

Desde 2008, o Ministério da Educação (MEC) adota a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, baseada na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU/2006). O modelo defende a convivência em salas comuns, com recursos de acessibilidade e adaptações pedagógicas.

Segundo o MEC:

  • 36% das escolas têm salas de recursos multifuncionais (SRM)

  • Em 2022, o Brasil tinha 1.372.000 estudantes do público-alvo da educação especial em classes comuns

  • 89,9% das matrículas da educação especial estão no ensino regular

  • 129 mil crianças com deficiência estão matriculadas desde a educação infantil

O órgão destaca a importância do Atendimento Educacional Especializado (AEE), da identificação de barreiras pedagógicas e da formação continuada de professores para garantir o acesso ao currículo.


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