Campo Grande (MS), Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

Cidades / Saneamento

Congresso dos Municípios debate saneamento como eixo de desenvolvimento urbano em MS

Evento em Campo Grande reunirá gestores, especialistas e concessionárias para discutir saúde, infraestrutura e universalização dos serviços

08/06/2026

15:30

DA REDAÇÃO

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O avanço do saneamento básico em Mato Grosso do Sul estará entre os principais temas do 4º Congresso dos Municípios de MS, que será realizado nos dias 9 e 10 de junho, em Campo Grande. O evento, promovido pela Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), reunirá prefeitos, gestores públicos, especialistas e lideranças municipais para discutir políticas capazes de melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer o desenvolvimento das cidades.

Com o tema “A eficiência do Municipalismo na construção do Brasil”, o congresso terá espaço para debates sobre infraestrutura urbana, sustentabilidade, inovação e gestão pública. Na quarta-feira, 10 de junho, representantes da Aegea, por meio da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal, além da Sanesul, apresentarão dados sobre obras, investimentos e expansão dos serviços de água e esgoto no Estado.

O saneamento básico é considerado uma das áreas mais estratégicas para o futuro dos municípios. Além de ampliar o acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário, o setor tem impacto direto na saúde pública, na preservação ambiental, na valorização imobiliária, na atração de investimentos e na geração de emprego e renda.

Estudos do Instituto Trata Brasil apontam que a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto contribui para reduzir doenças de veiculação hídrica e diminuir a pressão sobre os sistemas públicos de saúde. Na prática, o investimento em saneamento ajuda os municípios a economizar recursos, reduzir internações e criar condições mais adequadas para o crescimento urbano.

Em Campo Grande, os efeitos da expansão da rede de esgoto aparecem em indicadores de saúde. Entre 2003 e 2021, a cobertura de esgotamento sanitário passou de 19% para 89% da população atendida. No mesmo período, os casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDAs) caíram 91%, enquanto as internações relacionadas tiveram redução de 93%, conforme estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O impacto econômico também é relevante. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cada R$ 1 investido em saneamento pode gerar economia aproximada de R$ 4 em gastos com saúde pública, resultado associado à redução de doenças provocadas pela falta de água tratada e de coleta adequada de esgoto.

Para o diretor-presidente da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal, Gabriel Buim, o saneamento deve ser tratado como base do planejamento urbano. “O saneamento é uma das bases do desenvolvimento urbano. Quando investimos em água tratada e esgotamento sanitário, estamos investindo em saúde, qualidade de vida, preservação ambiental e em cidades mais preparadas para crescer de forma organizada e sustentável”, afirmou.

Em todo o Estado, Mato Grosso do Sul já alcança 81% de cobertura de redes de esgoto, índice que coloca o Estado entre os mais avançados do país no setor. O resultado é atribuído a investimentos contínuos em infraestrutura, ampliação das redes e modernização dos sistemas de coleta e tratamento.

Na Capital, a Águas Guariroba já investiu mais de R$ 2,5 bilhões desde o início da concessão. Os recursos permitiram a expansão da estrutura para mais de 4 mil quilômetros de rede de abastecimento de água e mais de 3 mil quilômetros de tubulações de esgoto. Atualmente, todo o esgoto coletado em Campo Grande passa por tratamento antes de retornar ao meio ambiente.

No interior, a atuação da Ambiental MS Pantanal também tem ampliado o acesso ao esgotamento sanitário. Entre 2021 e abril de 2026, foram implantados mais de 729 quilômetros de redes de esgoto em 68 municípios, com cerca de 58 mil novas conexões domiciliares e benefício direto para aproximadamente 161,8 mil pessoas.

Nesse mesmo período, mais de 131 bilhões de litros de esgoto deixaram de ser lançados sem tratamento em rios e córregos. O dado reforça o impacto ambiental da expansão do serviço, especialmente na proteção dos recursos hídricos e na melhoria das condições sanitárias das cidades atendidas.

A meta da Ambiental MS Pantanal é alcançar 98% de universalização do esgotamento sanitário até 2031 nos municípios onde atua. Atualmente, 30 cidades do interior já têm o serviço universalizado, segundo os dados apresentados pela concessionária.

Durante o congresso, o saneamento será tratado como parte essencial da agenda de desenvolvimento municipal. A infraestrutura de água e esgoto está diretamente ligada à capacidade dos municípios de atrair investimentos, preservar o meio ambiente, melhorar indicadores de saúde e oferecer mais qualidade de vida à população.

A Aegea atua em mais de 890 municípios de 15 estados brasileiros e, em Mato Grosso do Sul, opera por meio da Águas Guariroba, em Campo Grande, e da Ambiental MS Pantanal, no interior. A presença das concessionárias no evento deve reforçar o debate sobre os desafios da universalização e o papel do saneamento na construção de cidades mais eficientes, saudáveis e sustentáveis.


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