Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Justiça

Messias chega à semana decisiva com apoio de ao menos 47 senadores para vaga no STF

Indicado por Lula será sabatinado na CCJ após atraso de 131 dias e articulação com parlamentares da base e da oposição

27/04/2026

07:45

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

O ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), chega à semana decisiva de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) com apoio declarado ou sinalizado de ao menos 47 senadores. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado está marcada para quarta-feira, 29 de abril, após um processo que ficou cerca de cinco meses parado.

Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 20 de novembro de 2025, Messias disputa a vaga aberta com a saída do ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou a aposentadoria e deixou a Corte em outubro de 2025. Para avançar na CCJ, o indicado precisa obter maioria simples entre os senadores presentes. Depois, no plenário, necessita de pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.

A articulação em torno do nome de Jorge Messias envolveu uma agenda extensa no Senado. Desde o anúncio da indicação, o ministro visitou cerca de 77 senadores, incluindo parlamentares de oposição, em uma tentativa de apresentar sua trajetória jurídica, sua atuação na AGU e sua experiência em cargos públicos.

Aliados do ministro avaliam que o cenário atual é mais favorável do que no fim do ano passado, quando a sabatina chegou a ser marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas acabou adiada. Na ocasião, a análise ficou travada pela demora no envio da mensagem presidencial com a formalização da indicação.

Apesar do placar considerado suficiente para aprovação, interlocutores de Messias tratam o processo com cautela. A expectativa é de vitória, mas com margem apertada, semelhante à registrada em votações recentes para o Supremo, como a indicação do ministro Flávio Dino.

O atraso se tornou um dos pontos centrais da tramitação. Embora a escolha de Messias tenha sido anunciada em novembro de 2025, a mensagem presidencial só chegou oficialmente ao Senado Federal em 1º de abril de 2026, o que representou 131 dias de espera entre o anúncio político e o início formal da análise legislativa.

Nos bastidores, a demora foi atribuída ao receio do Palácio do Planalto de enfrentar uma possível rejeição no Senado. Parte dos parlamentares defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga, posição associada também a setores próximos de Davi Alcolumbre.

A indicação ocorre em um momento de grande atenção sobre o STF, que acumula processos de forte impacto político, institucional e jurídico. Por isso, a sabatina deve avaliar não apenas o currículo de Jorge Messias, mas também sua visão sobre temas constitucionais, separação entre Poderes, segurança jurídica e papel da Corte.

Críticos do processo apontam que o longo intervalo entre a escolha do nome e o envio da mensagem ao Senado pode indicar dificuldade de coordenação política ou cálculo estratégico do governo. Já aliados de Messias sustentam que o período foi usado para ampliar diálogo, reduzir resistências e consolidar votos antes da etapa decisiva.

Se for aprovado na CCJ e depois no plenário do Senado, Jorge Messias será confirmado como ministro do Supremo Tribunal Federal, ocupando a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso.


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