Campo Grande (MS), Terça-feira, 17 de Março de 2026

Política / Segurança

Violência contra mulher trans em Ponta Porã reacende alerta sobre feminicídios em MS

Deputada Gleice Jane cobra ações efetivas e fortalecimento da rede de proteção às vítimas

16/03/2026

21:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ataque contra uma mulher trans de 29 anos, ocorrido no último fim de semana em Ponta Porã, reacendeu o debate sobre o avanço da violência de gênero em Mato Grosso do Sul. Diante da gravidade do caso e da sequência recente de feminicídios no Estado, a deputada estadual Gleice Jane (PT) defendeu o fortalecimento urgente de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

Segundo informações da Polícia Civil, a vítima foi atraída até a residência de um casal sob o pretexto de realizar um serviço de limpeza. No local, ela foi submetida a agressões físicas, incluindo socos, chutes e uso de objetos, além de ser imobilizada pelos suspeitos. Conforme o registro policial, um dos agressores teria aquecido uma faca e utilizado o objeto para marcar o corpo da vítima. Após o episódio, ela foi liberada sob ameaça de morte. O caso é investigado como tortura e lesão corporal.

Para a parlamentar, o episódio evidencia o nível de violência enfrentado por mulheres, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade. “Trata-se de um caso extremo, marcado por violência e tentativa de desumanização. É inadmissível que situações assim continuem ocorrendo”, afirmou Gleice Jane.

A deputada é autora do Projeto Ampara, proposta que visa estruturar e integrar a rede de atendimento às vítimas de violência. A iniciativa prevê a criação de um protocolo de acolhimento envolvendo diferentes instituições, com o objetivo de identificar riscos e garantir encaminhamento rápido às redes de proteção.

“É fundamental garantir que nenhuma mulher fique desassistida. Em muitos casos, o feminicídio é precedido por uma sequência de violências que poderiam ter sido interrompidas”, destacou a parlamentar.

Sequência de casos reforça preocupação

O caso em Ponta Porã ocorre em meio a uma série de feminicídios registrados recentemente no Estado. Entre os episódios, está o assassinato da enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, morta dentro de casa pelo companheiro em Ponta Porã. Em Anastácio, a vítima Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta após ser asfixiada pelo marido, que inicialmente tentou simular suicídio. Já em Paranhos, a indígena Ereni Benites, de 44 anos, morreu após um incêndio criminoso atribuído ao ex-companheiro.

Para Gleice Jane, a repetição desses crimes evidencia um padrão preocupante de violência doméstica. “Estamos diante de casos em que mulheres são assassinadas dentro de casa, por pessoas próximas. Isso revela a gravidade da violência doméstica como uma das principais violações de direitos”, afirmou.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que Mato Grosso do Sul ocupa atualmente a terceira maior taxa de feminicídio do país, com 181 mulheres assassinadas entre 2021 e 2025 por razões relacionadas ao gênero.

Ações e tecnologia no combate à violência

A parlamentar também destacou iniciativas em nível nacional, como a campanha “Todos Juntos por Todas. Um pacto pela vida das mulheres”, que integra o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e busca mobilizar sociedade e instituições no enfrentamento da violência de gênero.

No Congresso Nacional, medidas tecnológicas também avançam. O Senado Federal aprovou recentemente um projeto que prevê o uso de tornozeleiras eletrônicas integradas a sistemas de monitoramento, capazes de alertar vítimas caso agressores descumpram medidas protetivas e se aproximem.

Para a deputada, ferramentas tecnológicas podem contribuir, mas não substituem políticas estruturantes. “É necessário investir na prevenção, no acolhimento e na responsabilização dos agressores. A violência precisa ser enfrentada de forma contínua e articulada”, ressaltou.

A parlamentar concluiu defendendo que o combate à violência contra as mulheres exige compromisso permanente do poder público e da sociedade. “Cada caso é uma tragédia que poderia ser evitada. Transformar a indignação em ação é essencial para salvar vidas”, finalizou.


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