Política / Câmara Municipal
Câmara de Campo Grande convoca sessão extraordinária para derrubar taxa do lixo que elevou IPTU 2026
Vereadores fecham consenso e miram decreto da Prefeitura que reajustou cobrança com base no novo PSEI
12/01/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Câmara Municipal de Campo Grande confirmou, nesta segunda-feira (12), a realização de uma sessão extraordinária durante o recesso parlamentar para votar a suspensão do decreto da Prefeitura que reajustou a taxa de coleta de lixo, medida que impactou diretamente os valores do IPTU 2026 e gerou forte reação da população. A votação ocorrerá às 20h, com apenas um projeto na pauta.
O foco dos vereadores será o Decreto nº 16.402/2025, editado pela prefeita Adriane Lopes (PP), que alterou a forma de cálculo da taxa de resíduos sólidos com base no Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI), elevando o valor cobrado nos carnês deste ano.
Após reunião com todos os parlamentares, o presidente da Casa, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), afirmou que houve consenso político e técnico para enfrentar o problema, especialmente sobre a taxa de lixo, por ser um tributo que atinge todos os contribuintes de forma linear.
“A cidade inteira está num clima muito grande de indignação com os aumentos. A taxa de lixo atinge todos os campo-grandenses, diferente do desconto de 20% no IPTU, que só beneficia quem paga à vista”, afirmou Papy.
Segundo ele, apesar de IPTU e taxa de lixo virem no mesmo carnê, são tributos distintos, com bases legais diferentes, o que permite à Câmara agir diretamente sobre a taxa.
A sessão extraordinária votará o Projeto de Decreto Legislativo nº 1.016/2025, que suspende os efeitos do Decreto 16.402, responsável pelo reajuste da taxa de coleta, remoção e destinação de resíduos sólidos domiciliares para 2026.
O decreto alterou a cobrança com base no novo PSEI 2026, sem passar pelo crivo do Legislativo, o que motivou reação dos vereadores e da sociedade civil.
O presidente da Comissão Especial do IPTU, vereador Rafael Tavares (PL), afirmou que a convocação da sessão é uma resposta direta às reclamações da população.
“Os vereadores não aprovaram nenhum aumento. A cidade teve um ano difícil de serviços públicos, e não é justo cobrar essa fatura do cidadão sem passar pela Câmara”, declarou.
Segundo ele, as tentativas de negociação com a Prefeitura não avançaram, o que levou o colegiado a formalizar o pedido de votação.
Papy afirmou que a Câmara vem sendo pressionada por eleitores de todas as regiões da cidade e que o Legislativo já vinha, desde dezembro, analisando tecnicamente quais pontos poderiam ser revertidos.
“Desde dezembro pedimos pareceres ao corpo jurídico para saber o que era possível reverter via legislação. A sessão extraordinária é resultado disso.”
Ele também reconheceu que a eventual suspensão da taxa pode gerar dificuldades operacionais para a Prefeitura, especialmente em relação a quem já pagou.
“Lei é para ser cumprida. Se a Câmara decidir, a Prefeitura terá que encontrar caminhos para devolver ou compensar o que foi cobrado a mais.”
Entre as hipóteses estão créditos tributários, descontos futuros ou devoluções, embora o presidente admita limitações nos sistemas da administração municipal.
Antes da votação, Papy confirmou que terá reuniões ainda nesta segunda-feira com a prefeita Adriane Lopes e com o conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado), Osmar Jeronymo, responsável por Campo Grande.
“Não queremos inviabilizar o Executivo. Queremos defender o cidadão e agir dentro da legalidade”, disse.
Em meio à crise, a Prefeitura prorrogou os prazos do IPTU 2026:
Pagamento à vista com 10% de desconto: até 12 de fevereiro
Parcelamento: primeira parcela pode ser paga até 10 de dezembro, sem juros ou multa
Demais parcelas: mantidas conforme o carnê
Apesar da flexibilização, a redução do desconto de 20% para 10% e o aumento da taxa de lixo continuam sendo o principal alvo das críticas.
Papy foi direto ao ser questionado se a votação iria acontecer:
“Vai ter.”
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