Política Internacional
Crise inédita atinge governo Milei após áudios ligarem irmã do presidente a suposto esquema de propinas na Argentina
Karina Milei, secretária-geral da Presidência, é citada em gravações que geraram investigações judiciais e abalaram popularidade do governo
28/08/2025
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo do presidente Javier Milei enfrenta sua crise política mais grave desde a posse, após o vazamento de áudios que citam sua irmã e braço direito, Karina Milei, em um suposto esquema de propinas envolvendo a compra de medicamentos para a rede pública.
As primeiras denúncias foram feitas na semana passada pelo ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, que acusou Karina e o subsecretário de gestão institucional, Eduardo “Lule” Menem, de cobrarem até 8% sobre contratos com farmacêuticas. Novos áudios divulgados nesta quarta-feira (27) ampliaram a repercussão do caso, já em investigação pela Justiça.
Karina Milei: secretária-geral da Presidência e uma das figuras mais próximas ao presidente.
Eduardo “Lule” Menem: aliado político e apontado como operador do esquema.
Diego Spagnuolo: ex-diretor da Andis, autor dos áudios e agora também investigado.
Empresários da Suizo Argentina: intermediários nas vendas de medicamentos ao governo, alvo de buscas e apreensões.
A Justiça argentina já realizou 16 mandados de busca e apreensão, encontrando cerca de US$ 266 mil em espécie.
Pelo menos cinco pessoas são investigadas por corrupção, suborno e administração fraudulenta.
Os acusados estão proibidos de deixar o país.
Celulares apreendidos, incluindo o de Spagnuolo, estão sob perícia e são considerados provas-chave.
Após dias em silêncio, Javier Milei classificou as acusações como “mentirosas” e prometeu acionar judicialmente o ex-aliado. Em aparições públicas, tem demonstrado apoio à irmã e denunciado perseguição política em meio ao período eleitoral.
“Tudo o que ele diz é mentira. Vamos levá-lo à Justiça e provar que mentiu”, declarou Milei ao canal C5N.
O chefe de gabinete, Guillermo Francos, afirmou que o presidente está “tranquilo” e tratou o caso como uma ofensiva política. Já o deputado Martín Menem, primo de Lule, defendeu os acusados e disse colocar “as mãos no fogo” por eles.
O escândalo ocorre a duas semanas da eleição na província de Buenos Aires e a dois meses das legislativas nacionais. Pesquisas já indicam queda adicional na aprovação de Milei, que vinha em retração. Parlamentares cogitam abrir uma CPI para apurar as denúncias, o que ampliaria a pressão sobre o governo.
Se confirmadas, as acusações podem atingir diretamente o discurso anticorrupção que levou Milei ao poder e enfraquecer sua base de apoio.
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