POLÍCIA
Crise na DEAM: 12 delegadas pedem exoneração em solidariedade a colega após caso Vanessa Ricarte
Renúncia em massa ocorre em meio à pressão e investigações sobre atendimento à vítima de feminicídio
18/02/2025
13:15
CGN
DA REDAÇÃO
Elaine, Fernanda, Analu, Mariane, Rafaela, Karen e outras delegadas da Deam (Foto: Gabriela Couto)
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande enfrenta uma crise sem precedentes após 12 delegadas pedirem exoneração coletiva nesta terça-feira (18). A decisão ocorre em solidariedade à colega envolvida no atendimento da jornalista Vanessa Ricarte, assassinada pelo ex-noivo horas depois de buscar ajuda na delegacia.
O pedido de renúncia inclui nomes como Patrícia Peixoto Abranches, Stella Paris Senatore, Analu Lacerda Ferraz, Larissa Franco Serpa, Karolina Souza Pereira, Marianne Cristine de Souza, Karen Viana de Queiroz e Rafaela Brito Sayao Lobato, formalizado por meio de um documento conjunto.
📢 "Foi feito em solidariedade à colega que está sofrendo linchamento público sem responsabilidade", declarou a delegada Analu Lacerda.
A Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) convocou uma reunião emergencial para evitar um colapso no atendimento às mulheres vítimas de violência. A crise também tem forte repercussão política, com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro (PP), admitindo falhas no sistema e defendendo mudanças estruturais urgentes.
📌 Pontos discutidos na reunião:
O caso de Vanessa Ricarte, morta pelo ex-noivo Caio Nascimento, reforçou críticas sobre a demora na resposta das instituições. A vítima solicitou medida protetiva de madrugada, mas o pedido só foi oficializado à tarde, quando o agressor ainda não havia sido notificado.
📢 "Houve falha, é preciso corrigir o sistema e fortalecer mecanismos de proteção", disse o deputado Paulo Duarte (PSB).
Segundo áudios da vítima, uma das delegadas teria sugerido que Vanessa entrasse em contato com o agressor para que ele deixasse a residência, o que gerou revolta e levantou questionamentos sobre os protocolos seguidos pela DEAM.
A Sejusp tenta reverter as demissões e busca um plano emergencial para garantir a continuidade dos atendimentos às vítimas de violência doméstica. No entanto, o governo estadual ainda não se pronunciou oficialmente sobre as renúncias coletivas nem sobre possíveis mudanças nos protocolos da delegacia especializada.
Enquanto isso, a pressão sobre o sistema de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul continua aumentando, e novos desdobramentos sobre o caso devem surgir nos próximos dias.
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