Polícia / Justiça
Presos na Operação Buraco Sem Fim já haviam sido denunciados por suposta fraude em contratos de obras
Cinco investigados são citados em apuração anterior do MP sobre propina, medições irregulares e desvio de recursos públicos
13/05/2026
14:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Cinco dos sete presos na Operação Buraco Sem Fim, deflagrada na terça-feira 12 de maio, já haviam sido denunciados em investigação anterior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suspeita de participação em fraudes envolvendo contratos públicos de obras em Campo Grande.
Os investigados são acusados de integrar um esquema de recebimento de propina para favorecer empreiteiros e permitir supostos desvios de recursos públicos em contratos ligados à manutenção de vias. A apuração anterior ficou conhecida como Operação Cascalhos de Areia, que mirou irregularidades em contratos executados em 2018.
Entre os nomes citados está Rudi Fiorese, que era secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos e ordenador de despesas à época. Segundo a denúncia do MPMS, durante a Operação Cascalhos de Areia foram encontrados R$ 18 mil em dinheiro e US$ 5,5 mil em um cofre. A suspeita dos investigadores era de que os valores tivessem origem em propina.
Também aparece na investigação o engenheiro Mehdi Talayeh, que atuava como fiscal de contratos. De acordo com a denúncia, ele era responsável por aprovar relatórios de medição e liberar pagamentos sem questionar a efetiva execução dos serviços. As investigações apontaram ainda suspeita de simulação de compra de gado por valores acima do mercado, o que, segundo o MP, poderia representar pagamento de propina.
Outros três servidores também são mencionados. Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula atuava como técnico operacional e auxiliava nas medições. Edivaldo Aquino Pereira exercia a função de fiscal substituto de contratos, enquanto Fernando de Souza Oliveira era gerente de medições da secretaria responsável pelas obras.
Além dos cinco agentes públicos, a Operação Buraco Sem Fim também resultou na prisão do engenheiro Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, sócio da Construtora Rial, e de seu pai, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.
A Construtora Rial, atual alvo do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), chegou a ser mencionada na denúncia da Operação Cascalhos de Areia. Na ocasião, o Ministério Público apontou que a empresa participou de licitação que resultou em contratos considerados fraudulentos envolvendo as empreiteiras Engenex e Patrola.
Naquele procedimento, porém, a Rial não foi alvo direto da investigação.
Agora, segundo o Gecoc, o foco está na execução dos contratos firmados com o município. A empreiteira é acusada de não executar adequadamente os serviços contratados. Para dar aparência de regularidade aos pagamentos, a empresa teria contado com a participação de servidores da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).
De acordo com os investigadores, a suposta atuação da construtora seguiria o mesmo modus operandi identificado na Operação Cascalhos de Areia, em que cinco dos atuais investigados já haviam sido denunciados.
Atualmente, a Construtora Rial possui mais de R$ 147 milhões em contratos ativos com o município de Campo Grande.
Após a deflagração da Operação Buraco Sem Fim, servidores ligados à Sisep foram exonerados pela prefeita Adriane Lopes (PP). O Governo de Mato Grosso do Sul também publicou a exoneração de Rudi Fiorese, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos).
A reportagem tenta contato com a Construtora Rial desde a deflagração da operação, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
A defesa de Rudi Fiorese informou que vai se inteirar do processo antes de se manifestar sobre as acusações.
O advogado Fábio Ferraz, que representa Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira, afirmou que, como Erik deixou a Sisep há cerca de quatro anos, a defesa acredita que a prisão possa estar relacionada a fatos ligados à Operação Cascalhos de Areia.
Já a defesa de Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa e de Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa informou que só vai se pronunciar depois de ter acesso ao inquérito.
A Operação Buraco Sem Fim segue em andamento e apura suspeitas de fraude em contratos de tapa-buraco, manipulação de medições, pagamentos indevidos e possível desvio de dinheiro público em serviços de manutenção de vias públicas na Capital.
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