Política / Justiça
Presos na Operação Buraco Sem Fim são levados para presídio após audiência de custódia em Campo Grande
Investigação apura suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco que somam mais de R$ 113 milhões na Capital
13/05/2026
10:00
DA REDAÇÃO
Rudi Fiorese segue para presídio ©Pietra Dorneles, Jornal Midiamax
Os sete investigados presos preventivamente na Operação Buraco Sem Fim, que apura supostas fraudes em contratos de manutenção de vias públicas em Campo Grande, foram levados algemados para o Centro de Triagem, após passarem por audiência de custódia no Fórum da Capital. As prisões foram homologadas pela Justiça.
Entre os presos estão Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos e ex-diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos); Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep; Edivaldo Aquino Pereira, ex-gerente de Manutenção de Vias; Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidores da pasta.
Também foram presos Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, produtor rural e proprietário da Construtora Rial, e Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil e filho de Antonio Roberto.
A operação foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A investigação apura contratos firmados com a Construtora Rial desde 2018, que, segundo o levantamento, somam R$ 113.702.491,02 entre contratos e aditivos.
De acordo com o MPMS, a apuração aponta a existência de uma suposta organização criminosa voltada à fraude sistemática na execução de serviços de manutenção de vias públicas. O esquema envolveria manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e possível desvio de dinheiro público.
Os promotores sustentam que parte dos pagamentos públicos não corresponderia aos serviços efetivamente prestados, o que teria permitido enriquecimento ilícito dos investigados e provocado prejuízos à qualidade das vias municipais.
Os presos passaram por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira, no Fórum de Campo Grande. O procedimento teve como objetivo verificar se os direitos legais dos investigados foram respeitados durante o cumprimento dos mandados.
O juiz de custódia Francisco Soliman homologou as prisões dos sete investigados. Pedidos de relaxamento de prisão apresentados por parte das defesas não foram analisados na audiência e serão encaminhados ao juiz da Vara de Garantias, responsável pela decisão que autorizou a operação.
Os advogados William Maksoud Machado e Ricardo Machado, que representam Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pediram relaxamento da prisão. A defesa alegou não ter tido acesso aos autos e destacou, no caso de Antonio Roberto, a idade de 70 anos e o estado de saúde.
O advogado Fábio Ferraz, que representa Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, informou que, após a homologação das prisões, avaliará a apresentação de pedido de revogação da prisão preventiva ou de habeas corpus.
A defesa de Rudi Fiorese, representada pelo advogado Werther Sibut de Araújo, afirmou em nota que a prisão é “desarrazoada” e não condiz com a trajetória do cliente. O advogado também informou que ainda não teve acesso aos autos, o que, segundo ele, prejudica o exercício da ampla defesa.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os investigadores encontraram altos valores em dinheiro vivo. Segundo as informações da operação, foram apreendidos pelo menos R$ 429 mil em espécie.
No endereço de Rudi Fiorese, foram encontrados R$ 186 mil. Em outro imóvel ligado a um dos alvos, foram localizados R$ 233 mil, também em notas de real.
Após a operação, a Prefeitura de Campo Grande informou que servidores envolvidos serão exonerados. Dois nomes já tiveram a exoneração efetivada: Mehdi Talayeh e Edivaldo Aquino Pereira.
O Governo de Mato Grosso do Sul também publicou a exoneração de Rudi Fiorese do cargo de diretor-presidente da Agesul, função que ele ocupava desde fevereiro de 2026.
A Operação Buraco Sem Fim segue em andamento, com análise de documentos, valores apreendidos e contratos relacionados aos serviços de tapa-buraco executados na Capital entre 2018 e 2025.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Veja o que abre e fecha em Campo Grande no feriado de Corpus Christi
Leia Mais
Governo Lula vê baixa chance de reverter decisão dos EUA que classifica PCC e CV como grupos terroristas
Leia Mais
Justiça mantém prisão de Alcides Bernal pela morte de Roberto Mazzini em Campo Grande
Leia Mais
MPT-MS terá plantão no feriado de Corpus Christi para atendimento de denúncias urgentes
Municípios