Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Justiça

Primo de Daniel Vorcaro é preso e apontado pela PF como operador financeiro na Operação Compliance Zero

Felipe Cançado Vorcaro teria atuado na execução de movimentações financeiras, operações societárias e repasses investigados no caso Banco Master

07/05/2026

07:45

DA REDAÇÃO

Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, apontado como um dos envolvidos no esquema do Banco Master. — Foto: Redes Sociais

O empresário Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, foi preso nesta quinta-feira, 7 de maio, durante nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Ele é apontado pelos investigadores como operador financeiro do núcleo ligado ao ex-controlador do Banco Master. A prisão temporária foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, Felipe Cançado Vorcaro teria atuado na execução de movimentações financeiras, na estruturação de operações societárias e na viabilização de repasses ligados ao grupo investigado. O mandado foi cumprido em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Filho do empresário Oscar Vorcaro, Felipe aparece no inquérito como integrante da estrutura empresarial associada a Daniel Vorcaro. Empresas como Green Investimentos S.A. e BRGD S.A. são citadas na apuração da PF.

PF aponta atuação em núcleo financeiro-operacional

De acordo com a decisão judicial, Felipe Cançado Vorcaro seria uma peça relevante na engrenagem financeira do grupo investigado. A PF afirma que ele fazia a ponte entre decisões estratégicas e a execução prática de movimentações financeiras e societárias.

A nova fase da operação também mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, e Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do parlamentar. As diligências fazem parte da investigação sobre supostas vantagens indevidas, repasses mensais e operações empresariais ligadas ao caso Banco Master.

Venda de participação societária é investigada

Um dos pontos centrais do inquérito envolve a venda de 30% da Green Investimentos para a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., ligada ao irmão do senador Ciro Nogueira.

Segundo a Polícia Federal, a participação teria sido negociada por R$ 1 milhão, apesar de uma estimativa de mercado em torno de R$ 13 milhões. Para os investigadores, a diferença entre o valor estimado e o preço efetivamente pago pode indicar possível vantagem indevida.

Esse tipo de diferença é chamado de deságio, quando um ativo é vendido por valor inferior ao que seria considerado seu preço de mercado. No caso investigado, a PF vê suspeita de que a operação possa ter servido para beneficiar politicamente ou financeiramente pessoas ligadas ao esquema.

A decisão atribui a Felipe Vorcaro participação na estruturação e execução dessa operação societária.

Repasses mensais teriam chegado a R$ 500 mil

A investigação também menciona a chamada “parceria BRGD/CNLF”, estrutura empresarial que teria sido usada para operacionalizar pagamentos mensais.

De acordo com a PF, os repasses teriam começado em cerca de R$ 300 mil e posteriormente chegado a R$ 500 mil por mês. A apuração aponta que os valores circulariam por empresas ligadas à família Vorcaro e a firmas administradas por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.

Em mensagens citadas na investigação, Felipe Cançado Vorcaro aparece consultando Daniel Vorcaro sobre a continuidade dos pagamentos. Em um dos diálogos, ele questiona se os repasses seguiriam em R$ 500 mil ou se poderiam voltar a R$ 300 mil.

Para os investigadores, essas conversas reforçam a suspeita de que havia uma estrutura contínua de pagamentos dentro do arranjo investigado.

Contratos de gaveta entram na mira da investigação

Outro elemento citado pela Polícia Federal é o suposto uso de instrumentos particulares fora dos contratos formais de sociedade, chamados no inquérito de “contratos de gaveta”.

Segundo a PF, esses documentos teriam sido usados para contornar regras societárias e permitir o direcionamento de recursos, dividendos e benefícios a empresas específicas, sem passar pelos controles formais normalmente exigidos.

Na avaliação dos investigadores, Felipe Vorcaro, então ligado à gestão da Green Investimentos, teria papel operacional nesse modelo.

Saída em carrinho de golfe em Trancoso chamou atenção da PF

A investigação também cita um episódio ocorrido durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, em 14 de janeiro de 2026, em Trancoso, na Bahia.

Segundo a PF, Felipe Cançado Vorcaro estava em uma residência no condomínio Terravista, área de alto padrão no litoral baiano, quando deixou o imóvel poucos minutos antes da chegada dos agentes federais para cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores mostram que ele teria consultado o celular repetidas vezes antes de sair do local. Em seguida, deixou a residência em um carrinho de golfe, veículo comum dentro do condomínio.

De acordo com o relatório da PF, ele teria levado apenas equipamentos eletrônicos, deixando pertences pessoais no imóvel. Para os investigadores, a forma como ocorreu a saída reforça a suspeita de que ele poderia ter sido avisado previamente sobre a operação.

Prisão temporária foi decretada por cinco dias

Com base nos elementos reunidos na investigação, o ministro André Mendonça, do STF, decretou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro por cinco dias.

A decisão também determinou medidas contra empresas ligadas ao núcleo investigado, incluindo restrições relacionadas à Green Investimentos S.A. e à BRGD S.A., enquanto as apurações seguem em andamento.

Caso segue sob investigação

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades relacionadas ao sistema financeiro. As informações fazem parte de uma investigação em curso, e os citados ainda não foram condenados pelos fatos apurados nesta fase.

O espaço permanece aberto para manifestação das defesas de Felipe Cançado Vorcaro, Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima e das empresas mencionadas na investigação.


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