Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Polícia / Justiça

Justiça concede liberdade provisória a despachante acusado de fraudes no Detran-MS

David Cloky Hoffman Chita, apontado como líder de esquema investigado na Operação Miríade, deverá usar tornozeleira eletrônica

04/05/2026

07:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu liberdade provisória ao despachante David Cloky Hoffman Chita, réu em processo que apura suposto esquema de corrupção e fraudes em vistorias e regularizações de veículos no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul). A decisão foi publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira, 4 de maio.

Com a decisão, a prisão foi substituída por medidas cautelares. David Cloky deverá usar tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 180 dias, além de ficar proibido de acessar ou frequentar unidades do Detran-MS e de manter contato com outros investigados no processo, que tramita em segredo de Justiça.

O despachante foi preso em dezembro do ano passado, após permanecer cerca de dois anos foragido. A captura foi realizada por equipe do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), em uma residência localizada na Rua 26 de Agosto, na região central de Campo Grande.

Segundo as investigações, David Cloky Hoffman Chita é apontado como uma das principais lideranças de um esquema voltado à facilitação de vistorias e à regularização irregular de veículos. As fraudes teriam provocado prejuízos milionários e envolvido servidores públicos e despachantes.

Em janeiro deste ano, o réu foi ouvido em audiência de instrução e julgamento na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Na mesma etapa processual, também prestaram depoimento a ex-servidora comissionada do Detran Yasmin Osório Cabral, que responde em prisão domiciliar, e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira.

Também foram ouvidas testemunhas de defesa e testemunhas indicadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), responsável pela acusação. Por determinação judicial, os detalhes do processo não são públicos.

De acordo com a denúncia, a apuração teve início a partir da regularização de um caminhão. O proprietário do veículo teria contratado um despachante para providenciar a exclusão de gravame e a troca do motor. Durante o procedimento, foram identificadas alterações cadastrais sem o cumprimento das etapas legais exigidas.

Entre os dados supostamente adulterados estavam informações sobre carroceria, eixo, PBT (Peso Bruto Total), CMT (Capacidade Máxima de Tração) e capacidade de carga. As mudanças teriam sido registradas sem que o veículo passasse pelo processo regular de alteração de características.

As irregularidades teriam ocorrido em agências do Detran-MS em Miranda e Campo Grande, entre julho de 2019 e setembro de 2020. Na Capital, segundo a investigação, houve alteração de cor do veículo, cancelamento do CRV (Certificado de Registro do Veículo) e emissão de novo documento. O caso teria envolvido pagamento de R$ 1 mil.

O esquema foi alvo da Operação Miríade, deflagrada pela Polícia Civil em 2023. Além de David Cloky, também foram denunciados pelo MPMS os servidores públicos Genis Garcia Barbosa, Eufrásio Ojeda e Abner Aguiar Fabre.

O despachante também possui histórico criminal citado nos autos e já foi condenado no contexto da Operação Vostok, em caso envolvendo o roubo de propina que seria entregue a um corretor de gado. A liberdade provisória concedida agora não encerra o processo, que seguirá em tramitação na Justiça.


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