Campo Grande (MS), Terça-feira, 21 de Abril de 2026

Cidades / Direitos Humanos

Ato em Campo Grande cobra reação social contra feminicídios e pede maior envolvimento dos homens no combate à violência

Caminhada no centro da Capital homenageou vítimas, lembrou casos recentes e reforçou a necessidade de mudança cultural

21/04/2026

12:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

Uma caminhada realizada na manhã desta terça-feira (21), no centro de Campo Grande, reuniu mulheres e apoiadores em um ato contra a violência de gênero e o feminicídio. A mobilização teve início na Praça Ary Coelho e seguiu até a Praça do Rádio, com mensagens de conscientização, homenagens às vítimas e cobranças por mudanças de comportamento dentro da sociedade.

O protesto ocorre em um cenário alarmante. Somente neste ano, 11 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul, dado que reforça a gravidade do problema no Estado e amplia a pressão por respostas mais efetivas na prevenção e no acolhimento às vítimas.

Mobilização surgiu após morte de subtenente da PM

O ato foi organizado por mulheres e amigas da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, encontrada morta a tiros dentro de casa, em Campo Grande. O caso provocou forte comoção e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher, inclusive na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Uma das organizadoras da caminhada, a policial da reserva Denise Benevides Schneider, afirmou que a mobilização nasceu da indignação diante da morte da amiga e da forma como parte da sociedade reage a casos de violência.

“A sociedade, ao invés de apoiar, julgou a Marlene sem saber o que ela estava vivendo. Se a gente não fizer nada, isso vai continuar. Não é só violência doméstica, é uma questão de saúde pública”, declarou.

Baixa presença masculina motivou cobrança pública

Durante a caminhada, o deputado estadual Coronel David (PL) fez um pronunciamento em que lamentou a baixa participação de homens no ato e afirmou que o enfrentamento ao feminicídio exige, sobretudo, uma mudança de consciência masculina.

“Esse é um movimento em que deveríamos ter muito mais homens. São eles que precisam mudar o tipo de consciência, de atitude e de conduta. A culpa nunca é da mulher, é sempre do agressor”, afirmou o parlamentar.

Em tom emocionado, ele também homenageou a vítima que motivou a mobilização e criticou a cultura de responsabilização das mulheres agredidas.

“Hoje estamos aqui para homenagear uma pessoa que não está mais entre nós, uma mulher que esbanjava alegria e conseguia reunir todos ao seu redor. Infelizmente, foi vítima de uma violência que vem tirando muitas mulheres do nosso convívio”, disse.

Combate à culpabilização da vítima

Coronel David também rebateu discursos que buscam transferir para a mulher a responsabilidade pela violência sofrida, argumentando que esse tipo de pensamento reforça a impunidade e dificulta o enfrentamento do problema.

“Quando alguém disser que a mulher deveria ter conhecido melhor o parceiro, rebata. Ninguém entende as questões do coração. Não podemos transferir a culpa”, completou.

Pressão por mudança cultural e fortalecimento da rede de proteção

Além da homenagem às vítimas, a caminhada teve como foco ampliar o debate público sobre a gravidade da violência doméstica e do feminicídio. Para os participantes, ações como essa ajudam a romper o silêncio, fortalecer a rede de apoio e pressionar por transformações culturais.

Segundo o deputado, a resposta ao problema passa por educação e mudança de comportamento desde cedo.

“A solução passa pela mudança de comportamento e de consciência dentro da sociedade, principalmente dos homens. Isso começa dentro de casa e na escola”, destacou.

Na Assembleia Legislativa, Coronel David afirmou ainda que tem dialogado com órgãos de segurança pública e justiça para aperfeiçoar os protocolos de atendimento às vítimas. Apesar de reconhecer avanços em Mato Grosso do Sul, ele avalia que ainda há um longo caminho a percorrer.

A mobilização em Campo Grande reforça o apelo por mais conscientização, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores, num momento em que os casos de feminicídio continuam crescendo no país.


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