Política / Justiça
Justiça italiana autoriza nova extradição de Carla Zambelli ao Brasil em caso de porte ilegal de arma
Decisão amplia pressão judicial sobre ex-deputada, já presa em Roma, e se soma a outro processo de extradição relacionado à invasão dos sistemas do CNJ
16/04/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A Justiça da Itália decidiu nesta quinta-feira, 16 de abril, autorizar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil em mais um processo, agora ligado à condenação por porte ilegal de arma. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Da decisão, ainda cabe recurso.
Esse novo desdobramento está ligado ao episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu um homem armada pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, após uma discussão política. O caso foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou a ex-parlamentar a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
A nova autorização se soma a outro processo de extradição já aceito anteriormente pela Justiça italiana, desta vez relacionado à condenação pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesse caso, a decisão favorável ao Brasil foi tomada no fim de março, mas a defesa apresentou recurso em 10 de abril, e esse pedido ainda não foi analisado.
No processo ligado ao CNJ, as investigações apontam que Carla Zambelli atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na base de dados do conselho, entre eles um suposto mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Com cidadania italiana, Zambelli deixou o Brasil após a condenação e passou pelos Estados Unidos antes de chegar à Itália. Ela está presa em Roma desde 29 de julho de 2025, porque as autoridades italianas entenderam haver risco de fuga enquanto o pedido brasileiro de extradição era analisado.
Mesmo com duas decisões judiciais favoráveis ao Brasil, a extradição ainda não está automaticamente concluída. Depois da análise de todos os recursos, a palavra final caberá ao governo italiano, por meio do seu Ministério da Justiça, conforme o rito previsto nos casos de cooperação internacional.
O pedido brasileiro se apoia no tratado de extradição firmado entre Brasil e Itália, em vigor desde 1993, que estabelece regras de cooperação para entrega de pessoas procuradas para julgamento ou para cumprimento de pena. Nesse cenário, a nova decisão fortalece a posição brasileira, mas o desfecho definitivo ainda depende da etapa política e administrativa do processo.
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