Política / Assembleia
Catan defende CPI após convênio milionário entre Governo de MS e Fiems
Deputado estadual cobra investigação sobre repasse de R$ 7,7 milhões e questiona falta de transparência sobre metas, fiscalização e aplicação dos recursos
13/04/2026
14:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) defendeu a abertura de uma CPI para apurar o convênio firmado entre o Governo de Mato Grosso do Sul e a Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), após a divulgação do repasse milionário formalizado pela Semadesc. A manifestação ocorre em meio à repercussão política do acordo, publicado no Diário Oficial do Estado, com valor global de R$ 7,7 milhões.
Em declaração ao Jornal Midiamax, Catan afirmou que o caso levanta dúvidas sérias sobre o uso de dinheiro público e sobre a ausência de informações claras a respeito de critérios, metas, indicadores de resultado e mecanismos de controle. Para o parlamentar, o desenvolvimento econômico não pode ser tratado sem transparência, especialmente quando há recursos públicos de alto valor envolvidos.
A crítica do deputado ganhou força após a revelação de que o convênio foi articulado ainda durante a gestão do ex-secretário Jaime Elias Verruck, que deixou o comando da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação no início de abril para disputar as eleições de 2026. A publicação original do extrato, no entanto, causou questionamentos porque trazia assinatura datada de 8 de abril de 2026, quando Verruck já não estava mais à frente da pasta.
No extrato publicado no Diário Oficial de 10 de abril, o convênio aparece com assinatura de Jaime Elias Verruck e do presidente da Fiems, Sérgio Marcolino Longen. O objeto do acordo é apoiar ações organizadas de promoção econômica e institucional de Mato Grosso do Sul, incluindo a realização de estudos técnicos e de mercado e o estímulo à identificação de novas oportunidades de negócios.
Já na edição do Diário Oficial de 13 de abril, houve uma nova publicação com correção formal. Nela, quem passa a assinar como concedente é Artur Henrique Leite Falcette, então titular da Semadesc, mantendo-se a mesma data de assinatura, o mesmo valor global de R$ 7.700.000,00 e a vigência até 15 de outubro de 2027.
Segundo o extrato oficial, o convênio foi celebrado entre o Estado, por meio da Semadesc, com recursos do Fundo Estadual Pró-Desenvolvimento Econômico (Pró-Desenvolve), e a Fiems. O acordo prevê apoio financeiro à execução de ações de promoção econômica e institucional, o que inclui estudos técnicos, análises de mercado e iniciativas voltadas à atração de investimentos.
Na avaliação de Catan, o caso repete um modelo que, segundo ele, já desperta preocupação: recursos públicos sendo direcionados sem clareza suficiente sobre sua efetividade e sem controle social adequado. Por isso, o deputado afirma que uma Comissão Parlamentar de Inquérito seria o caminho para aprofundar a apuração e dar transparência ao destino dos recursos.
Além da polêmica sobre a assinatura, outro ponto que alimenta a repercussão é o histórico de Jaime Verruck com o sistema industrial. Antes de assumir funções no governo estadual em 2015, ele atuou como diretor do Senai, do IEL e também como diretor corporativo da própria Fiems, o que ampliou o debate político sobre a articulação do convênio.
Conforme o conteúdo divulgado, caberá à entidade definir fornecedores e a forma de aplicação dos recursos no âmbito do plano de execução. Esse aspecto também virou alvo de questionamentos entre parlamentares, que defendem acesso público amplo aos dados do convênio, incluindo cronograma, indicadores, contrapartidas e prestação de contas.
Com a pressão de deputados da oposição e a republicação oficial do extrato, o tema tende a ganhar novos desdobramentos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, principalmente no campo da fiscalização de gastos públicos e da cobrança por transparência sobre o retorno concreto do investimento para a população.
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