Campo Grande (MS), Terça-feira, 09 de Junho de 2026

Política / Câmara Federal

Conselho de Ética aprova suspensão de Marcos Pollon por 60 dias

Deputado do PL de Mato Grosso do Sul foi alvo de representação por ofensas contra Hugo Motta e ainda pode recorrer da decisão

09/06/2026

12:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) a suspensão temporária do mandato do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) por 60 dias. O relatório foi aprovado por nove votos favoráveis e quatro contrários, sem abstenções.

A decisão foi tomada no âmbito da Representação nº 26/2025, apresentada contra o parlamentar. Inicialmente, o relator havia defendido afastamento de 90 dias, mas, na sessão anterior, realizada em 19 de maio, reduziu a recomendação para 60 dias de suspensão.

A representação foi assinada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e acusa Pollon de ter feito ofensas de caráter pessoal contra o presidente da Casa, deputado Hugo Motta.

Antes da votação, Marcos Pollon teve 10 minutos para se manifestar. Em sua fala, criticou a punição e afirmou que o caso envolve penalização por opinião.

“Quero fazer um alerta para todo o Brasil, nós estamos caminhando para uma democracia onde o Judiciário modula as leis punindo as pessoas por emitir opiniões. Isso jamais poderia entrar neste recinto. Digo isso porque aqui é a instância máxima da representação popular”, declarou.

Após a aprovação do relatório, o deputado afirmou que pretende recorrer da decisão. “Vamos ao recurso”, disse.

Esta não é a primeira penalidade aprovada contra Pollon no Conselho de Ética. O colegiado já havia analisado outra representação envolvendo a ocupação da Mesa Diretora da Câmara, ocasião em que foi aprovada suspensão temporária de 90 dias contra o parlamentar sul-mato-grossense.

Apesar da aprovação no Conselho de Ética, a decisão ainda pode ser questionada por meio de recurso. O deputado tem afirmado que sofre perseguição política e que continuará contestando as medidas adotadas contra seu mandato.

“Esse é o objetivo: impedir aqueles que não se dobram, que não se rendem, que não se vendem. Estamos sendo julgados porque nos levantamos por aqueles que não têm mais voz. Não teremos medo”, afirmou Pollon.

A decisão repercutiu entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) criticou a suspensão e classificou a medida como um “ataque à democracia”.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também saiu em defesa de Marcos Pollon. Terceiro vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Nikolas afirmou que ajudará a tentar reverter a decisão no colegiado.

Com a nova penalidade aprovada, Pollon passa a acumular duas decisões desfavoráveis no Conselho de Ética. A efetivação dos afastamentos, no entanto, ainda depende dos trâmites regimentais e da análise dos recursos apresentados pelo parlamentar.


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