Política / Eleições 2026
Bolsonaro deve divulgar lista de candidatos apoiados para conter disputas internas no PL
Estratégia busca orientar o voto bolsonarista nos estados e evitar avanço de pré-candidatos de oposição sem aval do ex-presidente
25/05/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve divulgar uma lista com os nomes dos pré-candidatos que pretende apoiar nas eleições de outubro. A medida é vista por aliados como uma forma de orientar o eleitorado bolsonarista em meio a disputas internas no PL e em partidos de oposição, já que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está impedido de participar diretamente das campanhas políticas.
Segundo pessoas próximas ao ex-presidente, a ideia inicial é indicar ao menos os pré-candidatos do PL ao Senado, mas a lista também pode incluir nomes para governos estaduais e até políticos de outras legendas que tenham o aval do clã Bolsonaro.
A estratégia tem como objetivo delimitar quais candidaturas serão consideradas oficialmente apoiadas pelo ex-presidente. Nos bastidores, aliados afirmam que a iniciativa busca evitar que eleitores bolsonaristas apoiem nomes de oposição não reconhecidos por Bolsonaro, chamados por um interlocutor do ex-presidente de “caroneiros”.
De acordo com a coordenação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o PL já tem alianças em 22 estados. A lista preparada por Bolsonaro serviria como instrumento para organizar esses palanques e reduzir conflitos entre grupos internos.
Parte das disputas envolve nomes defendidos pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que tenta fortalecer candidaturas ligadas ao PL Mulher. Em alguns estados, as articulações de Michelle têm provocado atritos com outras alas do partido e até com filhos do ex-presidente.
Um acordo interno da cúpula do PL definiu que Bolsonaro escolheria os candidatos da legenda ao Senado, enquanto o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, ficaria responsável por definir os nomes para os governos estaduais. Esse processo começou durante a janela partidária, em março, e deve ser concluído nas convenções, entre julho e agosto.
Nas eleições deste ano, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, já que cada estado elegerá dois representantes. O objetivo de Bolsonaro é eleger até 35 senadores aliados.
Com esse número, somado aos parlamentares que já estão no meio do mandato, o grupo bolsonarista espera alcançar maioria suficiente para pautas de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo eventual abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.
A prisão de Bolsonaro dificultou sua atuação direta na articulação política. Até o fim de março, o ex-presidente ainda podia receber visitas e era procurado por pré-candidatos em busca de apoio. Nessas conversas, costumava discutir cenários estaduais e composição de chapas.
Após internação por pneumonia, Bolsonaro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a cumprir pena em casa, mas com restrições mais rígidas. Atualmente, ele só pode ter contato com Michelle Bolsonaro, os filhos, médicos e advogados.
A lista é vista por aliados como uma forma de tornar pública a vontade política de Bolsonaro, que antes era transmitida diretamente aos pré-candidatos em reuniões presenciais.
Depois de visitar o ex-presidente no último dia 16, Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, afirmou que conversou com o pai sobre palanques estaduais.
“Falamos bastante sobre política e também sobre nomes de possíveis senadores. Em breve teremos novidades”, publicou Carlos. Em fevereiro, ele já havia dito que Bolsonaro elaboraria uma lista de candidatos apoiados.
Em Santa Catarina, a lista pode ajudar a resolver uma disputa dentro do campo bolsonarista. O PL havia definido apoio a Carlos Bolsonaro e ao senador Esperidião Amin (PP-SC) para o Senado. No entanto, Michelle Bolsonaro passou a defender a deputada Caroline de Toni (PL-SC) para a vaga e conseguiu convencer o marido a garantir espaço para sua aliada.
Recentemente, Michelle também fez acenos a Esperidião, sinalizando nova movimentação em meio às divergências com os enteados.
A principal disputa, porém, ocorre em São Paulo. No estado, o PL pretende apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado. Por fora, o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) também tenta se posicionar como nome competitivo no campo da direita.
A escolha de André do Prado, preferido de Valdemar Costa Neto e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), recebeu aval de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que deixou de lado nomes mais ligados ao bolsonarismo ideológico.
A decisão gerou críticas internas, especialmente porque o nome preferido de Jair Bolsonaro para uma das vagas seria o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). Por isso, aliados de Flávio apostam que uma lista assinada ou avalizada por Bolsonaro pode ajudar a conter resistências à candidatura de André.
No Ceará, o PL caminha para apoiar Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. Para o Senado, os nomes cotados são Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União Brasil).
Michelle Bolsonaro, porém, insiste na candidatura da vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado. Ela enfrenta resistência da direção local do partido. Nesse cenário, a lista de Bolsonaro poderia legitimar a candidatura defendida pela ex-primeira-dama.
Em Mato Grosso do Sul, a orientação do ex-presidente deve servir para arbitrar a disputa entre três nomes do PL pelas duas vagas ao Senado: Marcos Pollon, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja.
Marcos Pollon, apoiado por Michelle Bolsonaro, tem como trunfo um bilhete escrito por Jair Bolsonaro, no qual o ex-presidente afirma que ele é seu candidato por seu “caráter, honra e dedicação”.
A divulgação da lista também é uma tentativa de preservar o controle político de Bolsonaro sobre a base eleitoral da direita. Mesmo afastado da campanha presencial, o ex-presidente ainda exerce forte influência sobre o eleitorado conservador e sobre pré-candidatos que disputam seu apoio.
Nos bastidores, a avaliação é que uma manifestação pública de Bolsonaro pode reduzir ruídos, conter candidaturas paralelas e evitar que disputas locais enfraqueçam os palanques de Flávio Bolsonaro, do PL e de aliados nas eleições de outubro.
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